Saiba mais sobre essa ave que, apesar de pequena, viaja por quase todo Brasil; confira a coluna ‘CBN Sons da Terra’
O bigodinho, Sporophila lineola, é uma ave pequena, com cerca de 11 centímetros, encontrada em quase todo o Brasil, mas não o ano inteiro. Seu nome popular se deve às duas faixas brancas na lateral do bico, que lembram um bigode. O macho apresenta um contraste marcante entre as cores preta (costas e cauda) e branca (barriga e parte inferior da cauda), além de uma faixa branca no topo da cabeça, que, para alguns, forma uma estrela com as faixas do bico. A fêmea, por sua vez, é bem mais discreta, com coloração parda e bico claro.
Características e Hábitos
O bigodinho se alimenta de sementes e é avistado em campos abertos. Apesar de sua beleza e canto agradável, a espécie já sofreu (e ainda sofre) com o comércio ilegal, especialmente no Nordeste. Curiosamente, o bigodinho também é conhecido como estrelinha, devido ao desenho formado pelas faixas brancas em sua plumagem. A fêmea e os filhotes têm uma aparência bem diferente do macho adulto, sendo mais difíceis de identificar.
Migração e Variações Regionais
Uma característica notável do bigodinho é sua migração anual. Populações reprodutivas do Sudeste e Sul, do Nordeste e do Chaco (Paraguai, Argentina e Bolívia) migram para a Amazônia entre abril e dezembro, percorrendo até mais de 5.000 quilômetros. O canto do bigodinho também varia regionalmente, com pelo menos dois dialetos distintos no Brasil (Nordeste e Sudeste), que estão se expandindo e se misturando devido a mudanças ambientais e no uso do solo.
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Estudos, como o Projeto Bigodinho da Universidade Federal de Viçosa, investigam a ecologia comportamental da espécie, incluindo o papel de cada sexo no cuidado com o ninho, a complexidade do canto e as estratégias de alimentação. O bigodinho, apesar de seu pequeno tamanho, é uma ave fascinante, com hábitos migratórios impressionantes e variações regionais em seu canto e aparência, mostrando a rica biodiversidade brasileira.