Quem analisa esses disturbios de personalidade é a psicóloga Danielle Zeoti na coluna ‘CBN Comportamento’
Na semana passada, discutimos o perfil psicológico de Lázaro, um criminoso considerado um psicopata imprevisível. Hoje, abordamos um tema igualmente preocupante: crianças que demonstram incapacidade de compreender, sentir ou aceitar o amor, e que podem ferir ou matar sem remorso, devido à ausência de empatia e sociabilidade.
Crianças psicopatas: natureza ou criação?
A psicóloga Dani Elisheote esclarece que essas crianças não nascem psicopatas. Comportamentos severos, como desrespeito a regras, maldade e crueldade com animais e pessoas, são resultado de dificuldades na primeira infância, incluindo abusos, negligência e fatores biológicos, como alterações neuroquímicas cerebrais e fatores genéticos. A interação complexa desses fatores biopsicossociais molda o desenvolvimento da criança.
Transtorno de Conduta: diagnóstico e tratamento
A especialista destaca a importância do diagnóstico precoce do Transtorno de Conduta, que pode se manifestar antes dos 18 anos. Embora nem todas as crianças com Transtorno de Conduta se tornem psicopatas na idade adulta, a maioria dos psicopatas adultos apresentou esse transtorno na infância. Sintomas incluem desrespeito a regras, mentiras frequentes, agressão sem motivo, ausência de culpa e crueldade com animais. A idade da criança é crucial na avaliação desses comportamentos. A psicóloga enfatiza que, apesar da existência de impulsos agressivos inerentes ao ser humano, a interação social e familiar molda esses instintos ao longo do desenvolvimento.
Leia também
O tratamento para o Transtorno de Conduta envolve psicoterapia, medicação em alguns casos, orientação escolar e um trabalho conjunto entre pais, educadores e profissionais de saúde. A intervenção precoce é fundamental para melhorar o prognóstico e evitar problemas futuros, como envolvimento com drogas e a lei. O caso de Elizabeth Thomas, uma garota que sofreu abuso severo e apresentou comportamentos violentos na infância, mas que conseguiu se reabilitar e se tornar uma enfermeira que ajuda outras crianças abusadas, ilustra a possibilidade de recuperação.
Pais e educadores devem estar atentos a esses comportamentos, buscando ajuda profissional sem medo de julgamentos. A intervenção precoce é crucial para o bem-estar da criança e da sociedade como um todo.