Especialista em segurança pública explica os índices que apontam que o Brasil está abaixo da média na conclusão dos crimes
Uma pesquisa do Instituto Sou da Paz revelou que apenas um terço dos homicídios cometidos no Brasil em 2019 foram esclarecidos até o final de 2020. De 41.635 vítimas, apenas 15.305 tiveram o autor identificado, representando um índice de 37%. Esse número é inferior ao levantamento de 2018 (44%) e abaixo da média mundial (63%), da média das Américas (43%), da Ásia (72%) e da Europa (92%).
Casos em São Paulo e Ribeirão Preto
Em São Paulo, houve uma oscilação no número de homicídios dolosos: 2.778 em 2019, 2.893 em 2020 e 2.713 em 2021. A taxa de solução dos crimes caiu de 46% em 2019 para 34% em 2021. Ribeirão Preto apresentou um cenário diferente, com aumento nos homicídios: 40 em 2019, 46 em 2020 e 53 em 2021, contrariando a tendência estadual.
Dificuldades na Solução de Homicídios
O especialista em segurança pública Marco Aurélio Gritti aponta que a dificuldade na prevenção e solução de homicídios dolosos se deve a diversos fatores. A vontade do autor em cometer o crime dificulta ações preventivas. Além disso, muitos homicídios estão ligados ao crime organizado e acertos de contas, o que dificulta a obtenção de informações de testemunhas por medo de retaliação. A investigação também é complexa, exigindo um trabalho meticuloso da perícia desde a preservação da cena do crime.
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Perspectivas e Soluções
Gritti destaca a importância de equipes especializadas na investigação de homicídios e a necessidade de um trabalho integrado, desde a preservação da cena do crime até a apresentação das provas em juízo. Ele ressalta a dificuldade em obter informações em casos relacionados ao crime organizado. Para homicídios decorrentes de conflitos cotidianos, medidas preventivas e educacionais, com foco em controle emocional e comportamento social, poderiam contribuir para a redução dos índices.



