Quem explica é o pesquisador da Fiocruz Rodrigo Stabeli; vírus já foi identificado em pessoas de 16 países
O surgimento de casos de varíola dos macacos em diversos países tem gerado preocupação no Brasil. Apesar de ainda não haver registros de transmissão local, a proximidade geográfica e a retomada das viagens internacionais aumentam o risco de importação do vírus.
O que é a varíola dos macacos?
A varíola dos macacos é uma doença causada pelo vírus Orthopoxvirus, parente do vírus da varíola humana. Originária da África Central e Ocidental, a doença é uma zoonose, ou seja, transmitida de animais para humanos, e também entre humanos. O vírus é encontrado em animais silvestres que vivem em florestas tropicais úmidas, como a Amazônia e a Mata Atlântica. A transmissão ocorre por contato com animais infectados (através de mordeduras, arranhões ou contato com fluidos corporais) ou pelo consumo de carne mal cozida.
Diferenças entre a varíola dos macacos e a varíola humana
A varíola humana, erradicada em 1980, tinha uma taxa de mortalidade de 40% e alta contagiosidade. A varíola dos macacos é menos agressiva, com mortalidade estimada em 10%, mas ainda representa um risco à saúde. Embora os sintomas sejam semelhantes, a varíola dos macacos apresenta menor gravidade na maioria dos casos. A principal diferença reside na menor taxa de mortalidade e na menor capacidade de transmissão.
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Medidas de prevenção e o cenário no Brasil
O Ministério da Saúde, em conjunto com a Organização Pan-Americana da Saúde, monitora a situação. Embora a probabilidade seja de casos isolados, a globalização facilita a disseminação do vírus. Medidas preventivas, como o uso de máscaras (principalmente em aeroportos e em viagens internacionais), distanciamento social e higiene adequada, são recomendadas para minimizar o risco de contágio. A Anvisa recomenda o uso de máscaras, especialmente para quem viaja de avião e esteve em regiões com casos confirmados. O foco está na vigilância e isolamento de casos importados, para evitar a transmissão local e a instalação de um surto.
Embora a situação requeira atenção, a expectativa não é de uma pandemia. A rápida identificação e isolamento dos casos, combinados com medidas preventivas, são cruciais para controlar a disseminação da varíola dos macacos no Brasil.



