Nelson Rocha Augusto, economista, projeta expectativa do encontro que acontece nesta quinta (16); ouça a coluna ‘CBN Economia’
O Conselho Monetário Nacional (CMN) se reúne em meio a um cenário econômico complexo no Brasil. A reunião ganha destaque por marcar o retorno do CMN à sua formação completa, com a participação do ministro da Fazenda, o presidente do Banco Central e a ministra do Planejamento, buscando um equilíbrio entre diferentes áreas do governo.
Meta Inflacionária: Uma Bomba-Relógio?
Um ponto crucial da reunião é a meta inflacionária. A redução progressiva da meta, de 3,75% em 2021 para 3% em 2024, gera polêmica. Embora pareça pequena, essa redução impacta significativamente a economia brasileira, que opera com o IPCA cheio, ao contrário de outras nações que consideram apenas o núcleo da inflação. Essa diferença é relevante porque fatores como a guerra na Ucrânia ou quebras de safra, que impactam o IPCA cheio, não são considerados no núcleo da inflação, afetando a credibilidade da meta.
A Intervenção do Governo e suas Consequências
A discussão sobre a meta inflacionária se intensificou com a participação do presidente Lula, o que é considerado inadequado, uma vez que foge às atribuições presidenciais. A preferência do presidente por uma meta mais alta e taxas de juros menores gerou ruído no mercado e volatilidade na taxa de juros futura. A falta de definição da política fiscal de longo prazo do novo governo contribui para o cenário de incerteza, com expectativas inflacionárias desancoradas.
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Perspectivas para o Futuro
Apesar das dificuldades, há sinais de que a situação econômica brasileira pode melhorar. A expectativa é que a reunião do CMN não discuta a alteração da meta inflacionária, focando em outros assuntos. Com o anúncio da nova política fiscal e a continuidade das reformas, como a tributária, espera-se uma maior estabilidade econômica. A inflação e a taxa de câmbio estão sob controle, e há projeções de crescimento econômico de cerca de 1,5% para o ano, um resultado considerado satisfatório no contexto atual. A reforma tributária é fundamental para o futuro econômico do país.