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O que fazer para amenizar o impacto das mudanças climáticas provocadas pela ação humana?

Estudo da ONU mostra que o aquecimento de apenas 1°C pode aumentar a frequência de eventos extremos; Dalton Marques comenta
O que fazer para amenizar
Estudo da ONU mostra que o aquecimento de apenas 1°C pode aumentar a frequência de eventos extremos; Dalton Marques comenta

Estudo da ONU mostra que o aquecimento de apenas 1°C pode aumentar a frequência de eventos extremos; Dalton Marques comenta

Os desastres climáticos têm se tornado cada vez mais frequentes e intensos, O que fazer para amenizar o impacto das mudanças climáticas provocadas pela ação humana?, reflexo direto das mudanças climáticas provocadas pela ação humana. A ocorrência desses eventos extremos, como as enchentes recentes no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, não é fruto do acaso, mas resultado do aumento da temperatura global e do consequente aumento da umidade atmosférica, que intensifica as chuvas nessas regiões.

Relação entre mudanças climáticas e eventos extremos

Segundo Dalton Marques, gerente de desenvolvimento econômico do Supera Parque, a ciência já alerta há muito tempo para o aumento da frequência de eventos climáticos extremos. Estudos da World Weather Attribution, uma rede acadêmica que analisa eventos meteorológicos, indicam que as mudanças climáticas são o principal fator que potencializa chuvas intensas em diferentes partes do mundo, incluindo Europa e Ásia. Um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão ligado à ONU, projeta o aumento desses episódios na América do Sul, especialmente na região Sudeste.

Impactos das enchentes no Rio Grande do Sul e Santa Catarina: As enchentes recentes no Rio Grande do Sul já são consideradas o maior desastre climático da história do estado, com mais de 100 mortes confirmadas e cerca de 100 pessoas desaparecidas. Mais de 2 milhões de pessoas foram afetadas, e aproximadamente 50 mil empresas sofreram prejuízos. Em Santa Catarina, a situação também é grave, com impactos semelhantes decorrentes das chuvas intensas.

Além das perdas humanas e materiais, há danos significativos aos ecossistemas locais e aos ambientes de inovação. O Instituto Caldeira, hub de inovação sem fins lucrativos fundado em 2021 em Porto Alegre, foi severamente afetado pelas enchentes, com áreas inundadas por quase dois metros de água. As atividades presenciais foram suspensas por tempo indeterminado, e o instituto tem apoiado suas startups de forma virtual. Para suprir a falta de espaço físico, firmou parceria com o Tecnopuk, parque tecnológico da PUCRS, outro importante polo de inovação na região.

Iniciativas tecnológicas no enfrentamento das crises: Além da solidariedade da população e das ações governamentais, startups e empresas de tecnologia têm contribuído para o socorro e a mitigação dos impactos. A Pixforce, startup que tinha escritório no Instituto Caldeira, utiliza visão computacional com imagens de satélite de alta definição para localizar sobreviventes nas áreas afetadas. A Imple, empresa sediada em Santa Cruz do Sul, disponibilizou helicópteros para resgate, transporte de alimentos, medicamentos, geradores para áreas isoladas e outros recursos para apoiar os atingidos.

Essas ações destacam a importância da tecnologia no apoio emergencial, mas também reforçam a necessidade de políticas públicas que incorporem soluções inovadoras para prevenção e adaptação às mudanças climáticas. Tecnologias de monitoramento de áreas de risco, predição de eventos climáticos e urbanização sustentável, como pavimentação que favoreça a absorção de água, são fundamentais para reduzir vulnerabilidades.

Pesquisas e soluções acadêmicas para monitoramento e resgate

Instituições de pesquisa também têm desenvolvido ferramentas para enfrentar os desastres. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em parceria com a startup Tideset Global, criou um sistema de monitoramento contínuo e em tempo real dos níveis de água, utilizando ondas de GPS, energia solar e transmissão online de dados. Esse sistema está instalado próximo ao Porto do Guaíba e tem auxiliado no enfrentamento da crise.

Outro exemplo é o aplicativo de geolocalização SOS RS, desenvolvido para professores voluntários e equipes de resgate. Ele permite que pessoas em áreas de risco solicitem socorro ou compartilhem informações confiáveis em tempo real com a Defesa Civil e equipes de salvamento. Apesar de limitações causadas pela falta de energia elétrica nas regiões afetadas, a ferramenta facilita a localização de desabrigados e otimiza as operações de resgate.

Panorama

Os desastres recentes no sul do Brasil evidenciam a urgência de integrar tecnologia, inovação e políticas públicas para enfrentar a crise climática. A combinação de monitoramento avançado, soluções emergenciais baseadas em tecnologia e planejamento urbano adaptado pode minimizar os impactos futuros. Contudo, é essencial que essas iniciativas recebam apoio governamental e sejam incorporadas aos planos estratégicos para garantir maior resiliência das comunidades e ecossistemas afetados.

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