Caso parecido aconteceu na Paraíba no final de semana; ouça a coluna ‘CBN Comportamento’ com Danielle Zeoti
Um trágico caso ocorrido na Paraíba, onde um adolescente de 13 anos tirou a vida da mãe e do irmão, além de ferir gravemente o pai, chocou o país e reacendeu o debate sobre saúde mental infantil e juvenil. A psicóloga Daniela Zeote analisou o evento, destacando a complexidade do comportamento do adolescente.
Transtornos Mentais e o Ato
Segundo a especialista, é difícil explicar um ato tão violento sem considerar a presença de um transtorno mental. Embora não seja possível afirmar com certeza qual transtorno o adolescente apresentava sem uma avaliação completa, a psicóloga sugere que um transtorno de personalidade antissocial, psicopatia ou sociopatia, pode estar envolvido. Ela ressalta, no entanto, que o diagnóstico de transtornos de personalidade em crianças e adolescentes é complexo e deve ser feito com cautela.
O Papel dos Games e Tecnologias
O depoimento do adolescente à polícia, justificando o ato por ter sido impedido de usar o celular e jogar, levantou questões sobre o papel dos games e das tecnologias. A psicóloga esclarece que culpar jogos ou séries por um ato tão extremo é superficial. A dependência tecnológica pode ser um fator agravante em casos onde já existem outros sinais de sofrimento psíquico, como isolamento social, baixo rendimento escolar, bullying, conflitos familiares, uso de drogas ou abuso de álcool. O jogo, nesse contexto, é apenas parte do problema e não a causa principal.
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Prevenção e Monitoramento Familiar
A especialista enfatiza a importância do monitoramento familiar, não como vigilância punitiva, mas como um acompanhamento próximo e compreensivo. Entender o mundo digital do adolescente, conversar sobre os jogos e séries que ele consome, e observar mudanças abruptas de comportamento são cruciais para a prevenção. Mudanças comportamentais devem ser vistas como um sinal de alerta, assim como a febre indica uma doença física. A psicóloga destaca que muitas tragédias são anunciadas por alterações comportamentais que, se observadas e investigadas, podem prevenir situações extremas. A responsabilidade pela segurança e saúde mental das crianças e adolescentes é compartilhada por toda a sociedade, incluindo pais, vizinhos, amigos e instituições.