Ouça a coluna ‘CBN Economia’, com Nelson Rocha Augusto
Após um dia turbulento, a economia brasileira e mundial sentiram o impacto dos eventos ocorridos no Brasil. O rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela Fitch Ratings gerou repercussões tanto no cenário nacional quanto internacional.
Impacto do Rebaixamento da Nota de Crédito
O rebaixamento da nota de crédito tem um impacto negativo significativo, amplamente previsto. A dificuldade do governo brasileiro em aprovar um ajuste fiscal relevante no Congresso Nacional levou a Fitch a considerar o Brasil mais vulnerável em sua capacidade de pagamento. Isso tem implicações importantes, pois duas das maiores agências de rating entendem que o Brasil não possui mais grau de investimento. Consequentemente, diversos fundos internacionais e de países não podem investir em ativos brasileiros, resultando em menor fluxo de capitais para o Brasil e custos mais altos para empresas, estados e a União ao captar recursos no exterior.
Desafios Orçamentários e Ajuste Fiscal
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), em votação no Congresso, indica que, na melhor das hipóteses, o superávit primário será mínimo. Há tempos o Brasil não apresenta superávit primário, e o valor desejado pelo Ministério da Fazenda, de pelo menos 0,7%, dificilmente será alcançado. A expectativa é de um pequeno déficit, refletindo a falta de apoio do Congresso a ajustes nas finanças públicas e a instrumentos de combate ao gasto. Isso fragiliza ainda mais as expectativas e o clima para a economia brasileira, afetando a confiança, o investimento e a geração de empregos.
Leia também
Rito do Impeachment e a Economia
A definição do rito para o impeachment da presidente Dilma Rousseff pelo Supremo Tribunal Federal (STF) influenciou positivamente a economia, ao eliminar a incerteza sobre o processo. A decisão do STF estabeleceu um rito claro, diminuindo o grau de insegurança. É crucial que esse processo ocorra o mais rápido possível para definir quem conduzirá o Executivo federal, seja a presidente eleita ou uma alternativa, reduzindo a incerteza e auxiliando na recuperação econômica.
Aumento das Taxas de Juros nos EUA
Após sete anos, os Estados Unidos elevaram suas taxas de juros. Embora possa surpreender, essa elevação é positiva para a economia mundial. A taxa de juros, ainda baixa, oscilará entre 0,25% e 0,5%. A comunicação da presidente do Banco Central Americano, Janet Yellen, sinalizou um grau de confiança na recuperação e continuidade da economia dos EUA. Como a economia americana é hegemônica, essa medida tem influenciado positivamente os mercados de bolsa em todo o mundo, demonstrando que a economia americana está se recuperando e voltando à normalidade.
Em resumo, os eventos recentes trouxeram desafios e oportunidades para a economia brasileira e global, exigindo atenção e adaptação contínuas.