Sobre o assunto, as votações do teto de gastos e as projeções econômicas para 2023, ouça o comentário de Nelson Rocha Augusto
O cenário econômico brasileiro pós-eleições presidenciais de 2022 é tema de debates acalorados. A formação da equipe econômica do novo governo, liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apresenta um perfil híbrido, combinando figuras experientes com outras de visões mais heterodoxas.
Uma equipe econômica híbrida
A equipe econômica do novo governo apresenta uma composição mista. Há nomes conhecidos e dedicados a temas específicos, como Bernardo Appy na reforma tributária, e outros com responsabilidades fiscais, como o futuro ministro da Fazenda, Haddad. Este último tem demonstrado compromisso com a responsabilidade fiscal, afirmando que o novo arcabouço fiscal será pautado pela matemática, e não pela ideologia.
Desafios e expectativas
Apesar do conhecimento de alguns nomes, a falta de clareza sobre a composição completa da equipe gera incertezas. A nomeação de Mercadante para o BNDES, por exemplo, suscita questionamentos por sua falta de experiência no setor bancário. A equipe demonstra uma mistura de visões, com alguns membros defendendo uma maior intervenção estatal e outros priorizando o desenvolvimento do mercado. Essa falta de unidade na comunicação gera expectativas e preocupações quanto à eficácia da política econômica nos primeiros meses do governo.
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Cenário macroeconômico e perspectivas futuras
O Brasil apresenta um cenário macroeconômico razoavelmente estável, com reservas internacionais robustas e um Banco Central independente combatendo a inflação. A aprovação da PEC da Transição garante recursos para o combate à fome e à pobreza. Entretanto, a economia enfrenta desafios como a desaceleração da atividade e a necessidade de definição de âncoras fiscais para 2024. Há expectativas positivas para as áreas social, ambiental, educacional e de relações internacionais, com a expectativa de um retorno a uma postura mais ativa e influente no cenário global. A melhora econômica, porém, deve demorar mais tempo, dependendo da eficácia da execução das políticas públicas e da superação dos desafios econômicos herdados do governo anterior.