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O que os brasileiros podem aproveitar da cultura francesa?

Ouça a coluna 'CBN Educação Para Vida', com João Roberto de Araújo
cultura francesa
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Ouça a coluna ‘CBN Educação Para Vida’, com João Roberto de Araújo

O educador João Roberto de Araújo, atualmente em Paris, compartilha suas reflexões sobre a educação para a vida, destacando uma contribuição especial da cultura francesa para o cenário educacional brasileiro.

A Inspiração dos Pensadores Franceses

Araújo expressa sua admiração pelos filósofos e pensadores franceses, contrastando-os com a idolatria frequentemente direcionada a figuras esportivas. Ele ressalta a existência de indivíduos que, de maneira discreta, propõem reformas no pensamento e contribuem para uma sociedade melhor. Esses visionários identificam falhas na cultura dominante e oferecem novas perspectivas para a convivência humana.

Boris Cyrulnik: Um Legado de Resiliência

Um desses intelectuais notáveis é Boris Cyrulnik. Sua história de vida, marcada pela perda dos pais durante a guerra e anos de perseguição, o motivou a estudar medicina, neurologia, psiquiatria, psicanálise e etologia. Cyrulnik fundou um grupo de pesquisa dedicado a compreender a condição de crianças feridas na infância. Atualmente, aos 79 anos, ele é um intelectual respeitado na França, autor de livros que orientam famílias e educadores sobre o tema.

A Ferida da Infância e a Importância da Afetividade

A questão central na obra de Cyrulnik é a resiliência. Suas pesquisas revelam que muitas crianças feridas desenvolvem a capacidade de ter sucesso e serem felizes, apesar das adversidades. Ele investiga as circunstâncias que favorecem essa recuperação, focando na importância da afetividade na família e na educação. Cyrulnik destaca a necessidade de falar sobre nossa interioridade, mesmo em momentos difíceis, e a importância de lidar com a memória traumática. Ele alerta para o déficit afetivo na sociedade contemporânea, resultado de um desequilíbrio entre trabalho e relações humanas, e enfatiza a biologia da solidão, que nos leva a buscar tranquilizantes químicos em vez da afetividade natural.

A obra de Boris Cyrulnik oferece ferramentas valiosas para compreender nossas próprias feridas e as das crianças, abrindo caminhos para a prevenção através da educação emocional.

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