Ouça a coluna ‘CBN Vida e Aposentadoria’, com Hilário Bocchi
O cenário do mercado de trabalho brasileiro tem sido marcado por discussões sobre a necessidade de uma reforma trabalhista, similar à que ocorreu com a previdência. Diante de um contexto de crescente desemprego, com números que atingiram 11 milhões, o Programa de Proteção ao Emprego (PPE) não se mostrou eficaz. Este artigo explora as propostas em discussão para proteger os trabalhadores brasileiros e impulsionar a geração de empregos.
Flexibilização das Regras da CLT
Uma das principais propostas em análise é a flexibilização das regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A ideia central é permitir que acordos e convenções coletivas, negociados entre empregados e empregadores por meio de seus sindicatos, prevaleçam sobre a legislação. Essa abordagem visa adequar as normas trabalhistas à realidade de cada setor e empresa, buscando um equilíbrio entre os interesses de ambas as partes.
Direitos Sociais e Trabalhistas
Apesar da flexibilização, a proposta ressalta a importância de preservar os direitos sociais e trabalhistas dos empregados. A ideia é que as negociações coletivas se concentrem na redução da jornada de trabalho e de salários, sem afetar normas relacionadas à segurança e saúde no trabalho. Em casos de divergência, a Justiça do Trabalho seria acionada para mediar conflitos, o que poderia, inclusive, reduzir o número de processos judiciais na área. Direitos como Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), férias, previdência social e licença-maternidade permaneceriam inalterados.
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Terceirização e Atividades-Fim
Outro ponto crucial em debate é a terceirização. Atualmente, a legislação restringe a terceirização às atividades-meio das empresas, como serviços de vigilância e limpeza. A proposta em discussão no Congresso Nacional visa permitir a terceirização também das atividades-fim, ou seja, da atividade principal da empresa. Essa mudança permitiria, por exemplo, que um banco contratasse serviços terceirizados de bancários, algo que hoje não é permitido. No entanto, essa medida exige cautela para evitar a precarização do trabalho e a supressão de direitos.
Encontrar um caminho que equilibre a redução de custos para as empresas com a proteção dos direitos dos trabalhadores é um desafio complexo, exigindo o engajamento de toda a sociedade na busca por soluções.