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O racismo no futebol e a luta antirracista

Um bate-papo com o Prof. Daniel Machado da Conceição, Doutor em Educação (UFSC)
O racismo no futebol e a
Um bate-papo com o Prof. Daniel Machado da Conceição, Doutor em Educação (UFSC)

Um bate-papo com o Prof. Daniel Machado da Conceição, Doutor em Educação (UFSC)

O programa “Nas Quatro Linhas”, O racismo no futebol e a, da CBN Ribeirão Preto, abordou o tema do racismo no futebol, destacando suas manifestações e as ações que os clubes podem adotar para combater essa prática.

Compromisso dos clubes com a luta antirracista

O professor Daniel Machado da Conceição, graduado em Ciências Sociais e doutor em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina, ressaltou que clubes comprometidos com a luta antirracista devem ir além de campanhas visuais, como camisetas e faixas. É necessário um processo de conscientização e educação contínua, além da inclusão efetiva de profissionais negros em cargos técnicos, médicos, de fisiologia, diretoria e conselhos. Ele destacou o “teste do pescoço” para identificar a presença de negros em diferentes posições dentro do clube, evidenciando a necessidade de diversidade real no dia a dia.

Educação antirracista nas categorias de base: Daniel enfatizou que o primeiro passo para uma educação antirracista é o reconhecimento da existência do racismo na sociedade e no futebol. Ele explicou que o racismo é um conceito social, construído historicamente por discursos legitimadores, e que atualmente ainda se manifesta em piadas, comentários e discursos políticos. O clube deve ser um espaço educativo, promovendo formação esportiva, cidadã e para o trabalho, conforme previsto na Lei Geral do Esporte (Lei 14.597/2023), que determina a oferta de programas contra abuso e exploração, qualificação de profissionais para proteção dos direitos de crianças e adolescentes e canais para denúncias.

Manifestação do racismo estrutural no futebol: O professor destacou que o Brasil é uma sociedade estruturalmente racista, o que se reflete no futebol, onde negros são maioria entre atletas, mas minoria em cargos de liderança e gestão. Ele explicou que a exclusão histórica da população negra da escolarização e do mercado de trabalho contribui para essa desigualdade. Além disso, a maioria dos atletas recebe salários baixos e contratos temporários, enquanto os cargos mais valorizados são ocupados por pessoas brancas. O racismo recreativo, presente em piadas e estereótipos, é uma forma comum de discriminação no futebol e deve ser combatido.

Denúncias e punições no combate ao racismo: Sobre o aumento de denúncias de racismo no futebol, Daniel atribui o fenômeno a uma maior conscientização, visibilidade dos casos e facilidades para registrar as ocorrências, além da ascensão de discursos extremistas. Ele defende que a educação antirracista deve ser intensificada, mas que também é necessário aplicar punições efetivas, como perda de mando de campo e pontos, para clubes e torcedores envolvidos em atos racistas. O professor ressalta que a aplicação das leis deve ser igualitária, independentemente do poder econômico dos clubes, e que a justiça civil e desportiva precisam atuar com autonomia e celeridade.

Informações adicionais

Daniel Machado também comentou sobre casos históricos e atuais de racismo contra atletas negros, como Vinicius Jr., Lilian Thuram, Mario Balotelli e Pelé, destacando a persistência da violência racial no futebol. Ele afirmou que o combate ao racismo no esporte pode contribuir para enfrentar outras formas de preconceito, como machismo e homofobia, e que o futebol deve ser um espaço inclusivo e educativo para todos.

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