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O sujeito-jogador, não o jogador-sujeito

Um bate-papo com Eduarda Moro, psicóloga e doutoranda no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC
jogador sujeito
Um bate-papo com Eduarda Moro, psicóloga e doutoranda no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC

Um bate-papo com Eduarda Moro, psicóloga e doutoranda no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC

O programa Nas Quatro Linhas da CBN Ribeirão Preto discutiu a formação de jogadores de futebol, focando na complexidade humana e existencial dos atletas em desenvolvimento. A psicóloga e pesquisadora Duda Amoro trouxe importantes insights sobre o tema.

Formação Cidadã e Escolar: Uma Visão Integrada

A discussão inicial se concentrou na formação cidadã e escolar dos jogadores, questionando a separação tradicional entre essas áreas. Amoro argumenta que a preocupação com a formação cidadã existe nos clubes, mas sua implementação é complexa, demandando viabilidade, instrumentos e ferramentas adequadas para ir além da formação física. A pesquisadora destaca a cisão entre corpo e mente, presente no discurso de treinadores e jogadores, onde a formação física muitas vezes prevalece sobre a mental e socioemocional.

A Identidade Estereotipada do Jogador

Amoro identifica uma identidade estereotipada reproduzida pelos jovens jogadores, marcada por preocupação excessiva com a aparência física, marcas e religiosidade. Esses elementos, segundo a pesquisadora, estão ligados à experiência de formação, com muitos atletas encontrando na religião um espaço de apoio emocional e social, principalmente aqueles que vivem longe de suas famílias. Casamentos e paternidades precoces também são comuns, decorrentes da vida solitária e do pouco tempo livre na adolescência.

Saúde Mental e o Impacto da Formação

A pesquisadora destaca os impactos na saúde mental da experiência atípica da adolescência dos jogadores. A alta pressão para se profissionalizar, aliada à necessidade de um amadurecimento precoce, leva a casos de ansiedade, estresse e problemas relacionados a lesões. A experiência de lesão grave, por exemplo, pode abalar profundamente a confiança e a percepção de tempo do atleta. Amoro enfatiza a importância do acompanhamento psicológico, não apenas para tratar problemas, mas também para promover o autoconhecimento e o desenvolvimento pessoal, permitindo que o atleta compreenda e gerencie as pressões da carreira.

Em suma, a formação de jogadores de futebol requer uma abordagem holística, que considere a complexidade humana e as necessidades específicas dessa população. A atenção à saúde mental, à formação cidadã e à integração entre corpo e mente são cruciais para o desenvolvimento integral do atleta, garantindo uma experiência mais saudável e significativa.

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