Economista, Nelson Rocha Augusto, comenta os impactos que essas medidas trazem; confira a coluna!
O anúncio recente de tarifas impostas pelos Estados Unidos gerou impactos significativos para a economia global, O ‘tarifaço’ do Donald Trump e, incluindo o Brasil. A economia americana, que representa cerca de 80% das transações mundiais em dólar, deve sofrer uma desaceleração considerável em seu crescimento neste ano. A previsão do PIB dos EUA para 2024, que era de 2,5%, foi revisada para um crescimento máximo de 0,5%, indicando uma recessão técnica.
Além disso, a inflação nos Estados Unidos deve acelerar, O ‘tarifaço’ do Donald Trump e, passando de uma projeção inicial de 2,5% para cerca de 3,5%, acima da meta oficial de 2%. Apesar disso, as taxas de juros americanas, especialmente a dos títulos de 10 anos, que estavam em torno de 4,5%, devem cair devido à desaceleração econômica, o que reduz o custo de financiamento do governo dos EUA.
Impactos para a economia brasileira
Essa queda nas taxas de juros dos EUA e a desvalorização do dólar frente ao real, que já recuou cerca de 1,5% para aproximadamente R$ 5,60, contribuem para a redução da inflação no Brasil. Como consequência, as taxas de juros futuras no país também apresentam forte tendência de queda.
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Os preços das commodities, como soja, milho, trigo e petróleo, que são influenciados pelo mercado futuro americano, também estão em queda devido à menor atividade econômica nos EUA. Isso reforça a perspectiva de redução da inflação brasileira nos próximos meses, embora os efeitos nos preços ao consumidor final demorem a ser sentidos.
Além disso, a Petrobras já realizou reduções nos preços do diesel e do combustível de aviação. Com a safra de cana-de-açúcar em início, há expectativa de queda nos preços do etanol e da gasolina, o que pode aliviar ainda mais a inflação.
Tarifas e relações comerciais internacionais: Os Estados Unidos impuseram uma tarifa de importação de 10% sobre produtos brasileiros, valor inferior ao aplicado pela China, que alcança 54%. Apesar de ser uma medida negativa, o impacto relativo para o Brasil é menor. O país compete com os EUA na exportação de produtos como soja, milho, carne e petróleo.
Em resposta, o Brasil pode ampliar suas exportações para outros mercados, especialmente a China, que foi o maior comprador de produtos brasileiros em 2023, com importações da ordem de US$ 100 bilhões. A tendência é que o Brasil fortaleça suas relações comerciais com países da Ásia, Europa e Oriente Médio, aproveitando o isolamento crescente dos EUA no comércio internacional.
Recomendações para o Brasil: Especialistas recomendam que o Brasil evite reações agressivas às tarifas americanas, já que o conflito comercial é principalmente entre os EUA e países asiáticos. Embora o Brasil deva denunciar as medidas nos fóruns internacionais, a estratégia sugerida é aproveitar as oportunidades de mercado que surgem com a realocação do comércio global.
“Mesmo sendo ruim para nós essa imposição de uma tarifa de 10%, é melhor que a gente aproveite o momento que está acontecendo com o resto do mundo e com a própria economia brasileira, do que literalmente tentar reagir aos Estados Unidos”, afirmam analistas.
Entenda melhor
O dólar é a moeda predominante nas transações internacionais, e as decisões econômicas dos EUA impactam diretamente os mercados globais. A desaceleração americana pode reduzir a pressão inflacionária mundial, beneficiando países como o Brasil, que dependem da exportação de commodities e da estabilidade cambial.