Marcos Felipe conversa com o consultor em agronegócio José Carlos de Lima Jr. e explica as consequências de uma taxação de 50%
Na semana que passou, o governo dos Estados Unidos anunciou a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos exportados do Brasil para o país, medida que preocupa o setor do agronegócio brasileiro. A decisão foi interpretada como uma retaliação ao posicionamento do Brasil em relação à hegemonia do dólar nas transações internacionais, especialmente após declarações do presidente Lula defendendo a busca por uma moeda alternativa ao dólar nas relações comerciais.
José Carlos de Lima Jr., consultor em agronegócio, explicou que a tarifa inicial era de 10% desde abril de 2025, mas aumentou para 50% após o pronunciamento do presidente Lula em 7 de julho. A resposta dos Estados Unidos veio rapidamente, com o ex-presidente Donald Trump afirmando que não permitiria que os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) retirassem o dólar do seu papel de moeda dominante.
Segundo José Carlos, a tarifa é um instrumento para pressionar o Brasil a rever seu alinhamento geopolítico. Caso a tarifa de 50% entre em vigor em 1º de atrássto, os produtos brasileiros exportados para os EUA ficarão mais caros, o que pode reduzir o volume das exportações e causar uma sobreoferta no mercado interno, especialmente de itens do agronegócio como café, suco de laranja e carne bovina. Isso pode resultar em preços menores no mercado interno, mas também em redução dos investimentos e produção pelos empresários do setor.
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O consultor destacou que ainda há possibilidade de negociações para reverter ou reduzir a tarifa, pois a medida pode prejudicar significativamente a entrada de dólares no Brasil e a economia nacional.
Principais pontos sobre a tarifa dos EUA ao Brasil
- Tarifa inicial de 10% aplicada desde abril de 2025 foi aumentada para 50% em julho.
- Medida está relacionada à tentativa dos BRICS de desdolarizar o comércio internacional.
- Tarifa pode reduzir exportações brasileiras para os EUA e causar sobreoferta no mercado interno.
- Negociações ainda podem alterar a aplicação da tarifa.
Em outro tema, o uso do café na indústria cosmética tem ganhado destaque. A bioquímica Vanessa Villela relatou que, após pesquisas em parceria com instituições como a Universidade Federal de Lavras, identificaram no grão de café, especialmente no cru, altos teores de ácidos clorogênicos, substâncias antioxidantes que combatem o envelhecimento da pele.
A médica dermatologista Gabriela Nero explicou que produtos cosméticos com derivados do café, como a cafeína e o óleo de café verde, são usados para melhorar a hidratação da pele, reduzir bolsas e olheiras, combater celulite e auxiliar na queda de cabelo. Ela ressaltou que os benefícios são percebidos apenas com o uso tópico contínuo, por pelo menos 60 a 90 dias, e que o consumo de café por via oral não substitui esses efeitos.
Dra. Gabriela também alertou para os riscos de aplicar café diretamente na pele sem controle de dosagem e recomendou o uso de produtos cosméticos desenvolvidos e testados pela indústria farmacêutica para garantir segurança e eficácia.
Benefícios do café para a pele
- Derivados do café têm ação antioxidante e hidratante.
- Uso tópico pode melhorar olheiras, celulite e queda de cabelo.
- Resultados exigem uso contínuo por 2 a 3 meses.
- Consumo oral de café não substitui os efeitos tópicos.
Sobre as condições climáticas, o agro-meteorologista Marco Antônio dos Santos informou que julho de 2025 tem apresentado amplitude térmica típica do inverno, com noites frias e dias quentes. Não há previsão de geadas até o final do mês, e o tempo deve permanecer seco, favorecendo as colheitas de cana, café, milho e feijão. A previsão indica retorno das chuvas para o final de julho e início de atrássto, o que é considerado positivo para o equilíbrio hídrico das plantações.
Clima e agricultura em julho de 2025
- Amplitude térmica típica do inverno com noites frias e dias quentes.
- Sem previsão de geadas até o final de julho.
- Tempo seco favorece colheitas em andamento.
- Chuvas devem retornar no final de julho e início de atrássto.
Entenda melhor
A imposição de tarifas comerciais é uma ferramenta comum em disputas econômicas internacionais e pode ser usada para pressionar mudanças políticas ou econômicas. No caso do Brasil e Estados Unidos, a questão envolve a disputa pela hegemonia do dólar nas transações comerciais globais, com os BRICS buscando alternativas para reduzir a dependência da moeda americana.