Ouça as informações com Monize Zampieri
A Câmara Municipal de Ribeirão Preto se prepara para sediar uma audiência pública crucial para o futuro do trânsito de animais na cidade. A discussão surge em meio à polêmica gerada por um projeto de lei que visa proibir a circulação de animais no município, levantando questões sobre mobilidade urbana, tradição e bem-estar animal.
O Projeto de Lei e a Polêmica
O projeto em questão, proposto pela vereadora Viviane Alexandre, não proíbe diretamente cavalgadas ou romarias, mas endurece as regras para a realização desses eventos. A proposta transfere a responsabilidade para os organizadores, tanto pessoas físicas quanto jurídicas, responsabilizando-os por eventuais danos ao patrimônio e pela garantia do bem-estar dos animais envolvidos. A intenção principal é retirar os animais das áreas urbanas, com exceção daqueles utilizados pela polícia e pelo exército.
A apresentação do projeto gerou protestos por parte de cavaleiros, que o classificaram como “insano”, enfatizando o forte vínculo entre pessoas e cavalos. Eles argumentam que o cavalo deixou de ser apenas um animal de trabalho e se tornou um companheiro, um animal de estimação, com um investimento significativo envolvido.
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Mobilidade Urbana vs. Tradição e Afeto
A vereadora Viviane Alexandre justifica o projeto com base nos problemas de mobilidade urbana enfrentados por Ribeirão Preto e nos riscos de acidentes envolvendo animais. Estima-se que a cidade possua mais de 10 mil cavalos utilizados para passeio. Por outro lado, os defensores da tradição equestre ressaltam a importância cultural e o afeto envolvido na relação entre humanos e cavalos.
Possíveis Alterações e a Importância da Participação
Diante da repercussão, a vereadora Viviane Alexandre solicitou a retirada do projeto da pauta para a realização da audiência pública. A expectativa é que, com base no debate, um projeto substitutivo seja apresentado, com regras menos rígidas. A proposta atual endurece as normas para cavalgadas, carroças e qualquer tipo de trânsito de animais, abrangendo diversas espécies.
A audiência pública, ainda sem data definida, será um espaço fundamental para que todos os interessados possam expressar suas opiniões. A vereadora destacou a importância da participação não apenas de cavaleiros, mas também de carroceiros e outros profissionais que trabalham com animais. A intenção é construir uma solução que atenda às necessidades da cidade, que possui mais de 650 mil habitantes e um trânsito intenso, sem prejudicar as tradições e o bem-estar animal.
Espera-se que o debate contribua para a construção de uma legislação equilibrada, que considere tanto os desafios da mobilidade urbana quanto a importância da relação entre o homem e os animais.



