Matheus Braia liderou uma espécie de juramento que dizia que os ‘calouros não podiam negar a tentativa de coito dos veteranos’
A decisão da justiça que inocentou um médico acusado de liderar um trote humilhante contra calouras de medicina em Franca-SP gerou indignação e mobilizou diferentes setores da sociedade. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e movimentos feministas se manifestaram publicamente, exigindo que o Ministério Público recorra da sentença.
Indignação e Repercussão
A presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina de Franca, Estela Lima, expressou sua surpresa e decepção com a decisão judicial. Para ela, os vídeos que circularam nas redes sociais, mostrando as calouras ajoelhadas e obrigadas a repetir frases ofensivas sob comando do médico, eram provas suficientes para uma condenação. Estela destacou que o caso não é isolado e que a impunidade em casos semelhantes reforça a necessidade de união para combater a violência contra a mulher.
A Decisão Judicial e suas Controvérsias
A juíza Adriana Gato Martins Bonemer, da 3ª Vara de Fazenda Pública de Franca, justificou sua decisão alegando que, apesar do conteúdo moralmente questionável do trote, o discurso do médico não causou ofensas à alegada coletividade das mulheres. A juíza ainda argumentou que considerar ofensivo o discurso do médico diante dos costumes sociais, muitas vezes promovidos pelo próprio movimento feminista, seria hipocrisia. Essa interpretação gerou polêmica e foi o principal alvo das críticas.
Leia também
Próximos Passos e Ações Futuras
O Ministério Público, que havia pedido a condenação do médico ao pagamento de 40 salários mínimos por danos morais e sociais coletivos, ainda não foi notificado oficialmente sobre a sentença. Após a notificação, analisará a possibilidade de recorrer da decisão. A OAB, que denunciou o caso ao Ministério Público em fevereiro, espera que o recurso seja apresentado, buscando uma revisão da sentença em segunda instância. A Unifran, instituição onde ocorreu o trote, informou que o processo interno foi arquivado, mas que mantém ações de conscientização contra esse tipo de prática. A expectativa é que o caso siga seu curso judicial, com a possibilidade de uma nova avaliação da conduta do médico e das consequências de seus atos.



