Evento de lançamento do estudo foi nesta segunda (25), em Ribeirão Preto; por hora, quatro pessoas recebem o tratamento
A ministra da Saúde, Anísia Trindade, visitou nesta semana o Centro de Terapia Celular do Hemocentro de Ribeirão Preto, infraestrutura que, após anos de estudos e investimentos, começa a funcionar na cidade e promete abrir novas possibilidades de tratamento para pacientes com câncer.
Evento e objetivos do novo núcleo
A cerimônia contou com a presença do secretário de Estado da Saúde, Eleus Spaiva, do diretor do Instituto Butantan, Esper Kallas, e do diretor do Hemocentro de Ribeirão Preto, Rodrigo Calado. O encontro marcou o início oficial dos estudos com células CAR-T para dois tipos de câncer e a inauguração do núcleo de terapia celular avançada responsável pela manipulação dessas células na região.
Segundo autoridades presentes, o objetivo é consolidar em Ribeirão Preto um polo de produção e pesquisa capaz de ampliar o acesso a tratamentos de alta complexidade, integrando Hemocentro, USP e o parque tecnológico local, com apoio de órgãos como a FAPESP.
Como funciona a terapia CAR-T e o protocolo do estudo
A terapia CAR-T consiste na extração de linfócitos T do próprio paciente, que são isolados, reprogramados em laboratório e posteriormente reinfundidos para que reconheçam e eliminem células tumorais que não responderam a tratamentos convencionais, como quimioterapia ou transplante de medula. O processo de manipulação no núcleo de Ribeirão Preto leva entre 15 dias e um mês.
No primeiro estágio do estudo, quatro pacientes voluntários serão tratados no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Após a coleta de sangue e a produção das células, os pacientes passam por internação de aproximadamente 15 dias para monitoramento dos efeitos colaterais — em particular, reações inflamatórias — e recebem acompanhamento ambulatorial com consultas semanais. As avaliações de eficácia previstas ocorrem 30 e 90 dias após a infusão, e todos os participantes serão monitorados por até cinco anos como parte do protocolo.
Regulação, custo e expectativa de disponibilização pelo SUS
Até o momento, cerca de 20 pacientes já receberam tratamentos experimentais com CAR-T no Brasil em trabalhos anteriores. As autoridades informaram que a expectativa é obter o registro da terapia CAR-T junto à Anvisa até o ano seguinte, o que abriria caminho para a oferta do procedimento pelo Sistema Único de Saúde. Hoje, o tratamento comercial tem custo superior a R$ 2 milhões, valor que o novo polo pretende reduzir por meio de produção local e políticas públicas que democratizem o acesso.
Representantes do Instituto Butantan destacaram a importância de manter investimentos e organização para que o país avance também em terapias genéticas e imunoterapias. Se os resultados iniciais forem positivos e a regulação avançar, o protocolo poderá ser ampliado e incorporado ao SUS.
A inauguração do núcleo de terapia celular em Ribeirão Preto marca um passo importante na transição de pesquisas acadêmicas para tratamentos clínicos disponíveis em âmbito público, com acompanhamento de longo prazo para pacientes e expectativa de oferta mais ampla caso os ensaios e a regulação se confirmem.


