Professor Luiz Puntel faz reflexão sobre o verbo que é uma manifestação de gratidão; ouça a coluna ‘Oficina de Palavras’
A gratidão pela voz
Nesta semana, senti profundamente a gratidão por ter voz, mesmo que seja aquela “voz de taquara rachada”, como costumo descrever. Aguda, fina, às vezes mais tênue que papel sulfite, ela nem sempre foi motivo de contentamento.
Do incômodo à celebração
Quando recebi o convite para participar semanalmente da CBN, senti um espanto inicial. “Eu?”, questionei-me. A minha própria voz me parecia estranha, como na propaganda de shampoo em que a atriz pergunta: “Ei, ei, vocês se lembram da minha voz?”. Eu, na verdade, detestava a minha voz. A aceitação e os elogios que recebi na rádio me deixaram eufóricos, mas essa gratidão foi temporária.
A lição da perda
Há dez dias, contraí Covid-19, e um dos sintomas foi a perda total da voz. Como a voz é meu instrumento de trabalho – seja em aulas de redação ou oratória, falar é essencial – a impossibilidade de emitir sons foi devastador. Nos dias em que fiquei sem voz, percebi o quanto a levo como garantida. A sua volta gradual me trouxe uma nova e profunda gratidão. Por isso, convido os ouvintes a refletirem sobre o que têm para agradecer nesta semana. Vamos agradecer juntos, celebrando as pequenas e grandes coisas da vida.
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Agradecer é um ato contínuo, uma prática que nos conecta à positividade e à riqueza das experiências. Que possamos cultivar essa atitude diariamente.