Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marisa Fernandes
A disputa por moradia em Serrana, interior de São Paulo, se arrasta há mais de um ano, colocando em lados opostos famílias sorteadas para residir em casas populares e os atuais ocupantes dos imóveis. A questão foi judicializada, mas, por ora, a situação permanece indefinida.
O Drama das Famílias Sorteadas
Lucimara Ferreira, mãe de 13 filhos, reside em um espaço apertado e paga aluguel de R$ 500. Contemplada com uma casa própria em um conjunto habitacional, ela não pode se mudar porque o imóvel está ocupado por outra família. “É muito desagradável, né? Eu ficar morando numa casa dessa desse jeito e precisando da minha”, desabafa Lucimara, que enfrenta dificuldades para encontrar outro lugar para morar com seus filhos.
A Perspectiva dos Invasores
A invasão dos imóveis ocorreu no final de 2012, quando as casas ainda estavam inacabadas. Os ocupantes realizaram reformas e investiram nos imóveis, o que dificulta a decisão de deixá-los. Taís Rastelo, uma das ocupantes, relata: “Praticamente fizemos quase a casa de novo. E atrásra está chegando esses mandatos, está deixando a gente preocupado, porque aqui ninguém tem para onde ir. Ninguém aqui tem condições de pagar um aluguel, entendeu? E aqui também ninguém tem condições de estar fazendo financiamento de casa nenhuma.”
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Decisão Judicial e Possíveis Soluções
As famílias sorteadas entraram com uma ação judicial solicitando a reintegração de posse das 40 casas populares. No entanto, a juíza de Serrana, André Esquiavo, decidiu que os ocupantes devem permanecer nos imóveis até que um novo programa habitacional seja implementado. A magistrada considerou a situação de extrema necessidade dos invasores, incluindo crianças e pessoas com deficiência, e o conflito de interesses entre o direito à moradia dos beneficiários e a dignidade dos ocupantes.
A prefeitura de Serrana informou que busca recursos junto ao governo federal para a construção de um novo conjunto habitacional. A ideia é transferir os ocupantes para as novas moradias, permitindo que as famílias sorteadas se mudem para os imóveis invadidos. Enquanto isso, a incerteza persiste para ambos os lados.



