Grupo mantinha 400 trabalhadores em condições precárias em obras na Angola
A Odebrecht e duas de suas subsidiárias foram condenadas a pagar 30 milhões de reais por manterem mais de 400 trabalhadores em condições análogas à escravidão durante a construção de uma usina de açúcar e álcool em Angola. Inicialmente, a condenação havia sido de 50 milhões, mas um acordo firmado no Tribunal Regional do Trabalho em Campinas reduziu o valor, que será pago em 12 parcelas de 2,5 milhões de reais, com a primeira vencendo em 10 de julho.
Acordo Histórico
O acordo representa o maior valor já pago no país em um caso de combate ao trabalho escravo e tráfico de pessoas, segundo o Tribunal Regional do Trabalho. A audiência, que durou quase sete horas, foi uma das mais longas da história da instituição.
Detalhes da Condenação
A investigação, iniciada pelo procurador Rafael de Araújo Gomes a partir de reportagens sobre a situação de trabalhadores de Américo Brasiliense em Angola, revelou que muitos foram recrutados em Araraquara e Américo Brasiliense e enviados para Angola sem visto de trabalho, tornando-se imigrantes ilegais. As provas demonstraram que a Odebrecht, e não as empresas contratadas, era a verdadeira empregadora. As condições de trabalho eram precárias, com instalações sanitárias inadequadas, áreas de vivência insalubres, comida estragada, água salobra e diversos trabalhadores adoeceram durante o período.
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Considerações Finais
Este caso destaca a importância do combate ao trabalho escravo e a necessidade de responsabilizar as empresas envolvidas em práticas ilegais. O acordo, apesar de reduzir o valor inicial da indenização, representa um passo significativo na luta por justiça e melhores condições de trabalho para os trabalhadores envolvidos.



