Oferta de etanol apertada deve manter preços firmes ao consumidor
O mercado de etanol no Brasil enfrenta um cenário desafiador, com a possibilidade de registrar o primeiro déficit em 14 anos. Apesar da expansão do etanol de milho, a produção pode não ser suficiente para compensar a lacuna deixada pelo etanol de cana-de-açúcar. Este artigo explora os fatores que contribuem para essa situação e suas possíveis consequências para o consumidor.
A Produção e o Consumo em Desequilíbrio
Tradicionalmente, o período de safra no Brasil é marcado pela queda nos preços do etanol nos postos de combustíveis. No entanto, problemas na produção do setor canavieiro têm levado a um desequilíbrio entre a produção e o consumo de etanol. Estima-se que o déficit possa chegar a 890 milhões de litros, o primeiro desde 2011, quando houve uma grande quebra na safra de cana. É importante ressaltar que não haverá falta de etanol no mercado, mas os estoques mais baixos podem manter os preços elevados até a próxima safra.
Impacto do Aumento da Mistura na Gasolina
A situação se agrava com o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, que passou de 27% para 30%. Esse aumento consumiu grande parte da oferta de etanol de milho, enquanto o número de veículos e o consumo continuam a crescer. Para tentar equalizar o problema, o Brasil tem aumentado as importações de etanol, o que pode até mesmo entrar na pauta de negociações com os Estados Unidos.
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Alternativas e Desafios
Os carros híbridos surgem como uma alternativa, mas ainda não são acessíveis para grande parte da população. Além disso, a infraestrutura para veículos elétricos no Brasil ainda é um desafio, especialmente no interior do país. A dependência dos biocombustíveis continua elevada, e a produção de etanol precisa ser garantida para suprir a demanda.
Diante desse cenário, o consumidor pode não ter o alívio esperado nos preços do etanol nos postos de combustíveis. A oferta apertada deve manter os preços firmes, sem a tradicional queda observada no período de safra.