Em 2018 nenhuma audiência havia sido realizada; Justiça investiga possíveis irregularidades no Daerp
Em 2018, a 4ª Vara Criminal do Fórum de Ribeirão Preto sediou a primeira audiência da Operação Cervandija, processo que envolve o Daerp e a empresa Aegeia. Na manhã de segunda-feira, o juiz Lúcio Enés da Silva Ferreira ouviu testemunhas de defesa, funcionários do Daerp, entre eles engenheiros. As oitivas, que duraram de 9h às 11h30, foram acompanhadas pelo ex-diretor Alberto Mantila e seus advogados.
Testemunhos e Esclarecimentos
Mantila, um dos investigados na Operação Cervandija, firmou acordo de delação premiada, confirmando pagamentos de propina a acusados, incluindo o ex-supreintendente do Daerp, Marco Antônio, figura importante na gestão da ex-prefeita Arsivera. Os depoimentos, no entanto, focaram em questões burocráticas e administrativas da autarquia, sem grandes revelações. O atual diretor administrativo do Daerp, André Bestete, declarou pouco contato com Marco Antônio, alegando a desorganização e constantes mudanças de comando na gestão anterior.
Investigação e Suspeitas de Corrupção
Para o Ministério Público, o Daerp funcionava como célula de corrupção na prefeitura de Ribeirão Preto. As suspeitas começaram em julho de 2015, com uma licitação para troca de 80 km da rede de água, com valor inicial de R$ 68 milhões, posteriormente elevado a R$ 86 milhões por meio de aditivos. O Gaeco também investigou indícios de superfaturamento, com aumentos significativos em serviços, como o de reservatórios (de R$ 1,641 milhão para R$ 3,7 milhões, um aumento de 127%). A delação de Mantila apontou ainda para fraude de dados sobre desperdício de água. O contrato com a Aegeia, que prestava serviços ao Daerp, foi rescindido em novembro de 2016 após auditoria detectar problemas.
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A audiência trouxe esclarecimentos sobre a rotina administrativa do Daerp, mas não gerou grandes revelações sobre o esquema de corrupção investigado. As investigações continuam em andamento.



