Após quase ser extinto, animal tem sido visto com regularidade na região
Na madrugada de terça-feira, um triste evento marcou o anel viário norte de Ribeirão Preto: uma onça-parda foi atropelada. Apesar de o motorista não ter sofrido ferimentos e o trânsito não ter sido interrompido, o incidente trouxe à tona a crescente presença desses felinos na região.
Onças em Ribeirão Preto: uma população em recuperação
Registros apontam um aumento da população de onças-pardas no estado de São Paulo, um feito notável após a espécie quase ser extinta na década de 60 devido à expansão agrícola. A conversão de florestas em lavouras reduziu drasticamente o habitat disponível, afetando a caça e a reprodução desses animais, que necessitam de aproximadamente 25 km² de floresta para sobreviver. No entanto, nos últimos anos, a onça-parda tem demonstrado capacidade de adaptação, expandindo sua presença para áreas como os canaviais.
Adaptação e os desafios da coexistência
De acordo com a bióloga Rita Bianchi (Unesp), a recuperação da população de onças-pardas se deve à disponibilidade de recursos e locais adequados para reprodução. A colheita da cana-de-açúcar, no entanto, representa um desafio. Esse processo afugenta as onças dos canaviais, forçando-as a buscar refúgio em áreas de preservação permanente, como matas ciliares e reservas legais. A presença dessas zonas de proteção se mostra crucial para a sobrevivência da espécie.
O comportamento das onças e a importância da prevenção
Outro fator que contribui para os atropelamentos é a dispersão de filhotes. Após cerca de um ano e meio com a mãe, os jovens iniciam a busca por novos territórios, o que pode levá-los a cruzar rodovias ou adentrar áreas urbanas. Embora a onça-parda seja uma espécie naturalmente arisca e evite o contato humano, a bióloga enfatiza que a chance de acidentes é pequena, exceto em situações específicas, como a presença de filhotes ou o animal se sentindo acuado. A onça-parda, também conhecida como suçuarana no Brasil e puma na América do Norte, habita grande parte da América e, apesar de ser um animal silvestre, raramente representa perigo para os humanos.
Portanto, o incidente reforça a necessidade de conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental, garantindo a existência de corredores ecológicos e habitats seguros para a fauna local. A coexistência entre humanos e animais silvestres exige atenção, respeito e medidas preventivas para minimizar riscos e garantir a preservação da biodiversidade.



