Thiago Fernandes explica quais os impactos dessa nova atualização, que pode ser utilizada para fins negativos; ouça a coluna!
Um novo apagão em serviços de mensagem reacendeu o debate sobre a dependência global de plataformas como WhatsApp, Instagram e Facebook. Usuários relataram dificuldades de comunicação e caos momentâneo em redes sociais, evidenciando como essas ferramentas se tornaram essenciais tanto para a vida pessoal quanto para o trabalho.
O avanço do ChatGPT: texto agora em voz
Em meio a essa realidade conectada, a tecnologia de inteligência artificial também avança rapidamente. O ChatGPT, um dos sistemas de IA mais usados no mundo, lançou uma versão com capacidade de reproduzir vozes. Segundo relatos da empresa, a plataforma já soma bilhões de acessos globais — números que demonstram a penetração da ferramenta entre profissionais e o público em geral.
A novidade permite clonar um timbre vocal a partir de cerca de 15 segundos de áudio, possibilitando que respostas e atendimentos automatizados sejam entregues em voz humana. Além de transformar textos em falas, o recurso pode ser aplicado na criação de roteiros, anúncios, material para redes sociais e serviços de atendimento ao cliente, acelerando processos que antes dependiam exclusivamente de gravações humanas.
Leia também
Benefícios práticos para empresas e profissões
Para áreas com alta demanda por produção de conteúdo e atendimento — como jornalismo, advocacia, contabilidade e desenvolvimento de software —, a ferramenta funciona como um acelerador. Empresas podem personalizar interações, oferecer suporte simultâneo a múltiplos clientes com o mesmo “timbre” e reduzir o tempo de produção de materiais audiovisuais.
Profissionais que trabalham com voz ou precisam de respostas rápidas também podem usufruir da tecnologia para otimizar rotinas, criar versões de conteúdo e automatizar funções repetitivas.
Riscos: deepfakes, fraudes e influência eleitoral
Apesar das vantagens, especialistas alertam para os riscos associados à clonagem de vozes. A capacidade de replicar qualquer pessoa a partir de poucos segundos de gravação abre espaço para deepfakes áudio, que podem ser usados em golpes financeiros, difamação ou manipulação política. Em ano eleitoral, por exemplo, há preocupação com a circulação de áudios falsos atribuídos a candidatos, capazes de influenciar debates públicos ou enganar eleitores.
A própria plataforma emitiu alertas sobre a necessidade de identificar desinformação e de adotar salvaguardas. Pesquisadores e reguladores defendem medidas como rotulagem clara de conteúdos gerados por IA, ferramentas de detecção de deepfakes e campanhas de educação digital para ensinar usuários a verificar a autenticidade de áudios e mensagens.
Enquanto a nova função de voz amplia possibilidades para comunicação e produção, especialistas pedem equilíbrio entre inovação e responsabilidade. Empresas, criadores e usuários precisam adotar protocolos de segurança e boas práticas para minimizar usos indevidos, mesmo quando a tecnologia promete benefícios expressivos para o dia a dia.