Retirada ilegal era feita nas marges do Rio Mogi Iguaçu; nove portos foram multados na região de São Carlos
Uma operação conjunta da Polícia Militar Ambiental, Ministério Público Federal, Marinha, Departamento Nacional de Produção Mineral e Companhia Ambiental do Estado (CTSB) resultou na aplicação de R$ 678 mil em multas a empresas por extração ilegal de areia nas margens do Rio Mogi Guaçu. A ação, iniciada nesta terça-feira, percorreu 90 quilômetros do rio entre Guatapará, Rincão e Luiz Antônio.
O Problema da Extração Ilegal
Segundo o tenente da Polícia Militar Ambiental, Leandro Oliveira, a extração de areia não é ilegal em si, desde que seja realizada no leito do rio. No entanto, as empresas optam por retirar a areia das margens, uma prática mais fácil e lucrativa, mas que causa danos ambientais significativos. Essa busca por lucro a qualquer custo ignora os princípios da mineração ecologicamente correta, que visa remover o excesso de areia acumulada no leito do rio.
Danos Irreparáveis ao Ecossistema
A extração nas margens remove barreiras naturais, acelerando o fluxo do rio e aumentando o risco de inundações. A expansão das margens compromete a mata ciliar, elevando a temperatura da água e prejudicando a vida aquática e a reprodução dos peixes. Jorge Luiz Carísia, gerente da CTSB, ressalta que a área destruída é praticamente irrecuperável, com danos visíveis à vegetação e impactos negativos na fauna aquática.
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Consequências e Próximos Passos
As empresas fiscalizadas, embora estejam com a documentação em dia, podem enfrentar outras penalidades, como sanções relacionadas à poluição das águas. A CTSB aguarda os resultados de coletas realizadas para determinar as medidas a serem tomadas. Até o momento, foram identificados 16 portos de areia suspeitos de extrair material dos barrancos, afetando 162 mil metros quadrados, o equivalente a 16 campos de futebol.
O capitão da Polícia Ambiental, Luciano Fraga, enfatiza que as licenças concedidas aos portos são exclusivas para a retirada de areia do leito do rio, e não das margens. A operação continua na região de São Carlos, com nove portos já autuados e multas que ultrapassam R$ 1,5 milhão. O foco da fiscalização é a proteção do rio, a preservação do meio ambiente e a garantia da qualidade da água.
A ação demonstra a importância da vigilância constante para mitigar os impactos negativos da atividade mineradora e garantir a saúde dos ecossistemas fluviais.



