Alvos da operação ‘Decepticons’ são grupos empresariais com atuações no segmento de gestão e fornecimento de alimentos
A operação “Decepticons”, deflagrada na manhã desta quarta-feira pela Polícia Civil, cumpriu 27 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, São Paulo e Goiás. A investigação, que durou oito meses, focou em dois grandes grupos empresariais do ramo de fornecimento de gêneros alimentícios para hospitais públicos, presídios e restaurantes comunitários, segundo o delegado Guilherme Souza-Melo, da coordenação de combate à corrupção e crime organizado do Distrito Federal.
Fraude em Licitações Públicas
A investigação revelou que os grupos empresariais fraudavam a legitimidade das concorrências públicas, garantindo que empresas integrantes do esquema vencessem as licitações. Utilizando softwares com lances automáticos em velocidades extremamente rápidas e valores ínfimos, impossibilitavam a concorrência justa de outras empresas. Pelo menos três empresas estavam envolvidas, com atuação concentrada em São Paulo e Orlândia.
Software Ilegal e Impacto Financeiro
Os crimes apurados incluem fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, e organização criminosa. A polícia descobriu que os softwares, apelidados de “robôs”, foram usados em licitações no Distrito Federal e em outros estados, causando prejuízos que ultrapassam R$ 200 milhões. Em um dos contratos, a economia gerada pela fraude girava em torno de R$ 200 milhões anuais em um estado (nome não divulgado pela polícia). Em São Paulo, foram cumpridos 14 mandados nas cidades de São Paulo, Santo André e Orlândia (região de Ribeirão Preto).
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Operação Decepticons
O nome “Decepticons” faz referência ao uso de tecnologias ilegais – os robôs que automatizavam os lances nas licitações. A operação demonstra a complexidade das fraudes em contratos públicos e o uso de tecnologia para burlar os processos de concorrência, resultando em prejuízos milionários para os cofres públicos.



