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Operadoras querem limitar uso da internet fixa

Mudanças entrariam em vigor apenas em novos contratos, assim como acontece nos planos de dados móveis
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Mudanças entrariam em vigor apenas em novos contratos, assim como acontece nos planos de dados móveis

Mudanças entrariam em vigor apenas em novos contratos, assim como acontece nos planos de dados móveis

Como anda a sua conexão? A prática de bloquear dados móveis após o consumo da franquia já é comum em planos de celular, forçando o usuário a pagar para continuar navegando. Mas e se essa prática se estendesse à internet fixa?

As operadoras de telefonia planejam implementar essa mudança, o que pode impactar significativamente quem utiliza a internet para assistir filmes, séries, aulas online, ou para enviar fotos e vídeos. A alternativa seria mudar os hábitos de consumo ou pagar mais para ter acesso à internet novamente.

A Legalidade da Franquia de Dados

A advogada Renata Ferreira de Freitas Alvarenga explica que a medida está dentro da legalidade, embora muitos consumidores desconheçam essa possibilidade. Segundo ela, as operadoras têm o direito de instituir a franquia de consumo. No entanto, a prática de não aplicar essa franquia já está consolidada no mercado, e os consumidores não estão acostumados a monitorar o consumo de dados.

A advogada ressalta a importância da cautela por parte das operadoras para garantir que essa mudança respeite os direitos do consumidor. Em outros países, a limitação de dados é acompanhada de uma redução na velocidade, mas os planos são mais acessíveis e oferecem limites de dados superiores aos praticados no Brasil.

Reação dos Consumidores e Órgãos de Defesa

O anúncio da Vivo gerou revolta entre os internautas, que lançaram o movimento “Internet Sem Limites”, com mais de 1 milhão de assinaturas. A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) também promoveu um abaixo-assinado, com mais de 75 mil adesões. O Procon, que já recebe inúmeras reclamações sobre a qualidade dos serviços, também se manifestou contrário à medida.

Paulo Gard, coordenador do Procon em Ribeirão, afirma que todos os Procons do Brasil se manifestaram contrariamente à interrupção da internet e devem notificar as operadoras para impedir a adoção dessa prática. A questão pode chegar à Anatel, que regulamentaria a situação. Gard ressalta que nenhum Procon no Brasil é favorável à implementação de franquia na banda larga fixa, pois isso desequilibra a relação contratual, forçando o consumidor a arcar com custos adicionais.

Posicionamento da Anatel e do Idec

A Vivo, após adquirir a GVT, anunciou que os planos de internet teriam uma limitação na franquia de dados, com possível bloqueio da conexão caso o limite fosse atingido. A medida valeria para novos contratos a partir de 1º de abril. A Anatel adotou uma postura branda, pedindo que as operadoras se abstivessem de limitar a velocidade ou suspender os serviços até que disponibilizassem ferramentas para que os consumidores pudessem acompanhar o consumo de dados.

O Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) criticou a medida, afirmando que ela beneficia apenas as empresas de internet, tornando o serviço mais caro e prejudicando a inclusão digital, social e educacional. A mudança, se aprovada, valerá a partir de dezembro.

Diante deste cenário, o futuro da internet fixa no Brasil permanece incerto, com consumidores e órgãos de defesa buscando garantir seus direitos frente às mudanças propostas pelas operadoras.

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