Quem explica o levantamento é David Forli Inocente na coluna ‘CBN Carreiras e Lideranças’
Nesta sexta-feira, o Jornal da CBN discutiu uma pesquisa da Harvard Kennedy School e Harvard Business School sobre a produtividade da discordância em debates. O professor Davi Foerle explicou como discordâncias, se bem conduzidas, podem gerar novas perspectivas e soluções criativas.
Discordância como ferramenta de construção
De acordo com a pesquisa de Francesca Gino e Julia Minson, a chave está em enxergar o conflito não como um ataque pessoal, mas como uma oportunidade de aprendizado. A predisposição em ouvir o outro, sem a intenção imediata de refutação, é fundamental para construir um diálogo produtivo. A técnica de reproduzir o argumento do interlocutor antes de responder demonstra a compreensão e respeito pelo ponto de vista contrário, abrindo espaço para uma construção colaborativa.
A importância da linguagem e o desafio das redes sociais
O professor Foerle destaca a influência negativa das redes sociais na construção de diálogos produtivos. As bolhas de opiniões homogêneas dificultam a exposição a diferentes perspectivas, prejudicando a construção de um entendimento mais amplo e objetivo. A linguagem utilizada também é crucial: uma comunicação colaborativa, respeitosa e inteligente é essencial para um debate frutífero. A ironia e a desvalorização do argumento do outro devem ser evitadas.
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Quatro passos para um diálogo construtivo
Para finalizar, o professor sugere quatro passos para construir diálogos produtivos a partir da discordância: 1) Assumir a possibilidade de que o interlocutor esteja certo e a necessidade de compreender seu ponto de vista; 2) Concentrar-se nos fatos; 3) Evitar a pessoalização do debate; e 4) Ouvir atentamente, sem interromper o fluxo de pensamento do interlocutor, como ensinou Rubem Alves: “Quando eu te ouço, eu apenas te ouço. Quando te ouço, eu nem sequer penso.” Seguir essas diretrizes contribui para transformar a discordância em um processo enriquecedor e positivo.