Fernando Roca diz que o aumento da demanda aliado ao preço do petróleo e à alta do dólar vão elevar ainda mais os combustíveis
O Brasil enfrenta uma onda de aumentos nos combustíveis, impactando toda a cadeia produtiva e o bolso do consumidor. Segundo a economista José Rita Moreira, a retomada econômica pós-pandemia elevou a demanda, tornando o aumento inevitável. A situação não se limita ao Brasil; Europa e Estados Unidos também enfrentam problemas similares.
Impacto na Cadeia Produtiva
Com mais de 75% do transporte brasileiro realizado por rodovias, o encarecimento do frete impacta diretamente o preço final dos produtos. O consumo de 41 bilhões de litros de diesel entre janeiro e atrássto, com 9 bilhões importados, evidencia a dependência do país e a influência da variação cambial. A importação, mais cara em dólar, contribui para o aumento dos preços.
Ações Governamentais e Perspectivas
O Congresso discute medidas para reduzir o impacto do ICMS, enquanto a solução mais eficaz, segundo Moreira, seria a desvalorização do dólar. Entretanto, a perspectiva de diminuição dos preços no curto prazo é considerada improvável, dada a conjuntura econômica atual. Relatos de repasses de preços em algumas regiões já indicam o início do impacto do aumento anunciado pela Petrobras.
Leia também
Cenário do Etanol e Repasse de Preços
O aumento do diesel afeta diretamente o preço do etanol, transportado por rodovias. A proximidade do fim da safra e o início de um período de entre-safra maior que o normal contribuem para a alta dos preços. A possibilidade de as usinas priorizarem a produção de açúcar, caso o preço internacional seja mais vantajoso, agrava a situação. O repasse de preços aos postos de combustíveis é imediato, com pouca margem para os revendedores manterem estoques diante da necessidade de capital de giro. A alta demanda e a dificuldade de importação de combustíveis, devido ao preço menor no Brasil em relação ao mercado internacional, contribuem para a manutenção da tendência de alta.



