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Os bastidores da CBF

Edmo Bernardes conversa com o jornalista Allan de Abreu sobre as instabilidades no comando da Confederação Brasileira de Futebol
Os bastidores da CBF
Edmo Bernardes conversa com o jornalista Allan de Abreu sobre as instabilidades no comando da Confederação Brasileira de Futebol

Edmo Bernardes conversa com o jornalista Allan de Abreu sobre as instabilidades no comando da Confederação Brasileira de Futebol

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) enfrenta uma crise administrativa marcada por escândalos e instabilidade política. A eleição para o novo presidente da entidade ocorre em meio a denúncias de má gestão e corrupção que vêm se acumulando há anos, Os bastidores da CBF, segundo o jornalista Alan de Abreu, da revista Piauí.

Alan destacou que, desde a era de Ricardo Teixeira, Os bastidores da CBF, nenhum presidente da CBF concluiu seu mandato, evidenciando uma crise estrutural na entidade. A última gestão, comandada por Edinaldo Rodrigues, foi caracterizada por uma ascensão súbita e por práticas controversas, como o reajuste salarial dos presidentes das federações estaduais, que passaram a receber entre R$ 50 mil e R$ 215 mil mensais, com direito a 16º salário, o que gerou insatisfação e resistência entre os clubes.

O jornalista explicou que Edinaldo Rodrigues manteve-se no cargo graças a uma liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em janeiro de 2024. Essa liminar impediu o afastamento definitivo do presidente afastado, que enfrentava processos judiciais relacionados a uma suposta falsificação de assinatura de um vice-presidente da CBF, que está doente. A situação jurídica envolveu instâncias como o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal.

Além disso, Alan de Abreu revelou que o Instituto de Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), entidade acadêmica sediada em Brasília e da qual Gilmar Mendes é sócio-fundador, firmou parceria com a CBF para gerenciar a CBF Academy, braço acadêmico da confederação. O IDP passou a ter influência significativa na CBF, com seis diretores ligados direta ou indiretamente ao instituto.

Disputa eleitoral e candidatos: A eleição da CBF conta com dois principais candidatos: Samir Shaladi, da Federação Roraimense de Futebol, e Reinaldo Bacchi, da Federação Paulista de Futebol. Samir conta com o apoio de 25 das 27 federações estaduais, enquanto Reinaldo tem o respaldo de diversos clubes, mas não conseguiu o apoio necessário das federações para registrar sua candidatura.

Alan ressaltou que a Federação Roraimense tem pouca tradição no futebol nacional, com apenas dez clubes registrados e participação limitada em competições nacionais. Além disso, Samir Shaladi é recém-eleito para substituir o pai na presidência da federação e não possui experiência significativa na gestão do futebol. A prática de sucessão familiar nas federações estaduais foi destacada como um problema estrutural.

Relação entre clubes e federações

Há um racha entre clubes e federações, com os clubes demonstrando desconfiança em relação ao candidato apoiado pelas federações. Os clubes têm interesse na criação de uma liga brasileira de futebol nos moldes das ligas europeias, mas enfrentam resistência da cartolagem tradicional da CBF. A questão do calendário do futebol brasileiro, especialmente a manutenção dos campeonatos estaduais, também é um ponto de conflito, já que os estaduais são financeiramente importantes para alguns estados, como São Paulo.

Contexto financeiro e desafios: A CBF movimenta um orçamento anual superior a R$ 1 bilhão, com parte significativa dos recursos destinados ao pagamento dos altos salários dos presidentes das federações estaduais. A falta de fiscalização e a perpetuação de um sistema fechado e viciado são apontadas como causas da crise atual. A expectativa é que a eleição do novo presidente não traga mudanças significativas, dado o controle da cartolagem tradicional sobre a entidade.

Entenda melhor

O sistema eleitoral da CBF é controlado pelas federações estaduais, que elegem o presidente da entidade. A influência política, a falta de transparência e a perpetuação de práticas familiares dificultam a renovação e a profissionalização da gestão do futebol brasileiro.

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