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Os desafios da gestão em clubes de divisões inferiores

João Túbero recebe Sidiclei Menezes, Executivo de Futebol com passagens por Ferroviária, Athletico-PR, América-MG, entre outros
Os desafios da gestão em clubes
João Túbero recebe Sidiclei Menezes, Executivo de Futebol com passagens por Ferroviária, Athletico-PR, América-MG, entre outros

João Túbero recebe Sidiclei Menezes, Executivo de Futebol com passagens por Ferroviária, Athletico-PR, América-MG, entre outros

O programa “CBN nas Quatro Linhas”, Os desafios da gestão em clubes de divisões inferiores, transmitido aos sábados pela CBN Ribeirão Preto, promoveu um debate aprofundado sobre os desafios da gestão em clubes de futebol das divisões inferiores e categorias de base. O convidado da edição foi C. De Clemeneses, gestor com vasta experiência em clubes brasileiros e portugueses, que compartilhou suas vivências e análises sobre o tema.

Experiência e desafios na gestão de clubes de divisões inferiores

C. De Clemeneses possui histórico de trabalho em clubes como Ferroviária, Atlético Paranaense, América Mineiro, CSA, Vila Nova e Loleitano, de Portugal. Segundo ele, o maior desafio para clubes das divisões inferiores, como as séries C e D, está relacionado ao orçamento e ao planejamento. “Sem orçamento e planejamento, você não chega a lugar nenhum”, afirmou. Além disso, destacou a dificuldade da competição, que é acirrada e com condições semelhantes entre os clubes, e a complexidade na montagem do elenco, que exige criatividade e informações precisas.

Outro ponto destacado foi a logística, já que muitos clubes atuam em cidades com infraestrutura limitada, como a ausência de aeroportos, o que dificulta a organização e deslocamento das equipes.

Modelos de parceria e planejamento financeiro: Clemeneses comentou sobre experiências positivas com modelos de clube-empresa, citando o Arapongas, do Paraná, que teve sucesso inicial mas encerrou as atividades após a saída do investidor. Também ressaltou a parceria entre Ferroviária e Atlético Paranaense, que contribuiu para a profissionalização do clube de Araraquara, com resultados expressivos dentro e fora de campo.

Sobre o modelo de parcerias entre clubes menores do interior paulista e grandes clubes da Série A, ele afirmou que, quando bem estruturadas e com comprometimento dos envolvidos, essas parcerias são vantajosas. Elas permitem o compartilhamento de recursos financeiros, profissionais qualificados, atletas e expertise, o que é fundamental para clubes que enfrentam limitações orçamentárias e estruturais.

Quanto à adaptação orçamentária durante o ano, especialmente para clubes que disputam o Campeonato Paulista no primeiro semestre e competições nacionais no segundo, Clemeneses enfatizou a importância do planejamento financeiro e estratégico. Segundo ele, o clube deve definir antes do início do ano um orçamento para o estadual e outro para o restante da temporada, considerando a necessidade de reformular o elenco após o estadual, já que muitos jogadores deixam as equipes para atuar em clubes maiores.

Calendário do futebol brasileiro e estruturação das categorias de base

Sobre o calendário, o gestor acredita que os campeonatos estaduais não devem ser extintos devido à tradição e importância regional, mas defende que eles sejam estendidos para proporcionar mais visibilidade e oportunidades para clubes formadores e jovens atletas. Para ele, a ampliação do estadual permitiria a maturação dos jogadores e o desenvolvimento das equipes.

Na estruturação das categorias de base, Clemeneses ressaltou que o trabalho deve estar alinhado à realidade e ao projeto do clube. Ele destacou a importância da profissionalização, com bons profissionais e objetivos claros, para que o clube forme não apenas atletas, mas também profissionais capacitados. O gestor mencionou a criação da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) como uma possibilidade de atrair investimentos que possam fortalecer a estrutura dos clubes, mas reforçou que a gestão é o fator determinante para o sucesso.

Experiência internacional e diferenças culturais: Clemeneses compartilhou sua passagem pelo Loleitano, clube português da segunda divisão, onde atuou como executivo de futebol. Ele destacou que, apesar da estrutura precária da maioria dos clubes portugueses, o mercado local é valorizado pela Europa devido à qualidade dos jogadores e aos valores mais acessíveis em comparação com outras ligas europeias.

O gestor explicou que muitos clubes portugueses dependem de estruturas municipais para treinamentos e jogos, o que limita investimentos e desenvolvimento. Ele também comentou sobre a menor pressão externa em Portugal, com menos torcedores e um ambiente mais tranquilo, em contraste com o cenário brasileiro, onde a pressão da torcida e da imprensa é intensa, especialmente para clubes emergentes e médios.

Entenda melhor

O debate evidenciou que a gestão eficiente e o planejamento são fundamentais para a sustentabilidade dos clubes de futebol das divisões inferiores. Parcerias bem estruturadas, adaptação ao calendário, investimento nas categorias de base e compreensão das realidades locais e internacionais são elementos-chave para o desenvolvimento desses clubes.

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