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Os Estados Unidos e a nova era Trump

Edmo Bernardes conversa com Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais da ESPM, sobre o tema; ouça o 'Bastidor CBN'
Os Estados Unidos e a nova
Edmo Bernardes conversa com Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais da ESPM, sobre o tema; ouça o 'Bastidor CBN'

Edmo Bernardes conversa com Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais da ESPM, sobre o tema; ouça o ‘Bastidor CBN’

O programa Bastidor CBN contou com a participação do professor Leonardo Trevisan, Os Estados Unidos e a nova, especialista em relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), para analisar as estratégias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as relações comerciais entre Brasil e EUA.

Estratégia de comunicação e governança de Donald Trump

Segundo Trevisan, Trump adotou uma estratégia de “velocidade da bala”, recomendada pelo ideólogo Steve Bannon, que consiste em divulgar várias medidas de forma rápida e simultânea para desorientar a imprensa, o Congresso e o Judiciário, dificultando a análise das ações, sejam elas constitucionais ou inconstitucionais. Essa tática visa manter a atenção da mídia dispersa e criar um ambiente de incerteza.

O professor destacou que Trump é um comunicador eficaz, capaz de usar seu discurso para impor medo e desorientar adversários, comparando-o a um habilidoso jogador de truco. Essa abordagem também inclui a imposição de tarifas e medidas econômicas que geram dúvidas sobre sua duração e aplicação, criando um clima de negociação agressiva.

Tarifas e comércio internacional: Trevisan explicou que as tarifas impostas por Trump, como a de 25% sobre aço e alumínio, não são exclusivas do atual governo, tendo sido aplicadas também durante a administração Biden, que manteve políticas semelhantes para proteger a hegemonia americana. Ele ressaltou que o objetivo principal dessas tarifas é manter a supremacia dos Estados Unidos no cenário global, mais do que proteger diretamente os produtores nacionais.

O consumo de aço nos EUA é muito elevado, com cerca de 40% da demanda atendida por importações, o que torna as tarifas um desafio para fornecedores como Brasil, Canadá, México e China. O aumento do preço do aço importado pode levar a uma elevação dos preços internos, gerando inflação, o que preocupa o Banco Central americano. Por isso, Trevisan acredita que haverá negociações para estabelecer cotas que acomodem os preços e evitem impactos econômicos severos.

Relações Brasil-EUA e tensões políticas

Sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos, o professor observou que o atual governo brasileiro, liderado por Lula, adota uma postura mais confrontativa, especialmente em relação a temas como o BRICS e a moeda internacional, diferentemente do governo anterior que buscava maior cautela. Ele também comentou sobre a controvérsia envolvendo sanções e possíveis punições a autoridades brasileiras, destacando que, até o momento, não houve pedidos formais por parte do Brasil a órgãos internacionais, e que decisões judiciais nos EUA indicam que não há interferência direta na soberania brasileira.

A importância estratégica de Taiwan: Trevisan ressaltou que o foco principal da tensão entre EUA e China não está apenas no comércio, mas na guerra tecnológica, com Taiwan desempenhando papel crucial por ser responsável pela fabricação de cerca de 80% dos chips eletrônicos globais. A proteção dessa região é considerada vital para a economia mundial e para a segurança dos Estados Unidos.

Informações adicionais

O programa Bastidor CBN é apresentado aos sábados, às 11 horas, e está disponível para acesso no site da CBN e plataformas como Spotify.

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