Médico pediatra Ivan Savioli Ferraz alerta para os riscos que o acumulo de responsabilidades na infância traz para os pequenos
A adultização infantil, tema cada vez mais presente no cotidiano, consiste em sobrecarregar crianças com responsabilidades e atividades próprias de adultos, prejudicando seu desenvolvimento integral. Conversamos com o Dr. Ivansa Violi Ferraz, pediatra, para entender melhor esse fenômeno.
O Brincar em Perigo
Segundo o Dr. Ferraz, a principal consequência da adultização infantil é a diminuição significativa do tempo dedicado ao brincar. O brincar é fundamental para o desenvolvimento da autonomia, habilidades sociais e imaginação da criança. A falta dele impacta diretamente no desenvolvimento psicomotor, cognitivo e emocional.
Consequências para a Saúde
A sobrecarga de atividades pode levar à frustração, baixa autoestima e, em casos mais graves, à depressão. Além disso, crianças expostas precocemente a situações complexas para sua maturidade podem ser vítimas de abusos, sejam eles sexuais ou psicológicos. Embora o desenvolvimento hormonal precoce possa ocorrer, ele geralmente está ligado a fatores biológicos e não à adultização em si.
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Como Evitar a Adultização Infantil
O Dr. Ferraz ressalta que não se trata de proibir atividades extracurriculares, mas sim de observar se a criança demonstra cansaço ou falta de interesse. A prioridade deve ser o brincar. A introdução de responsabilidades, como mesada, deve ser gradual e respeitar o ritmo individual de cada criança. A partir dos 6 ou 7 anos, quando começam a entender conceitos matemáticos, pode-se começar a pensar em dar mesada, estimulando a responsabilidade financeira e o raciocínio matemático. A chave é o equilíbrio e a atenção aos sinais da criança.
Em suma, a adultização infantil é um problema que exige atenção dos pais, educadores e da sociedade como um todo. Priorizar o brincar e respeitar o ritmo de desenvolvimento da criança são passos cruciais para garantir seu bem-estar físico e emocional.