Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marisa Fernandes
A Fundação Casa de Ribeirão Preto tem enfrentado um ano conturbado, marcado por denúncias de agressões a funcionários por parte de menores, fugas de internos, greves de agentes e até a morte suspeita de um adolescente dentro da unidade. A instituição alega que a causa da morte foi asfixia, após o jovem engolir uma bolinha de desodorante roll-on, versão contestada pela mãe.
Denúncias de Maus-Tratos e Violência
Dona Maria do Socorro, mãe do adolescente falecido, questiona a versão oficial, apontando sinais de violência no corpo do filho. Outras mães de internos também relatam casos de maus-tratos, incluindo agressões físicas e psicológicas. Uma delas denunciou que os internos eram punidos coletivamente após agressões a funcionários, sofrendo espancamentos e humilhações durante a noite. Os relatos sugerem que, em vez de ressocialização, os jovens saem da unidade mais revoltados e traumatizados.
Crise na Fundação Casa e Superlotação
Além das denúncias de violência, a Fundação Casa de Ribeirão Preto enfrenta problemas como a fuga de 40 menores em dois meses e greves de agentes, que alegam sobrecarga de trabalho e falta de segurança. Um agente relatou ter sido agredido e ficado com hematomas. A superlotação é um problema constante, com unidades operando acima da capacidade máxima, como a de Araraquara, que está com 13% a mais de adolescentes do que o permitido. Essa situação prejudica o trabalho de recuperação dos internos e sobrecarrega as fundações de outras cidades.
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O Aumento da Criminalidade e a Necessidade de Resocialização
O juiz da infância e juventude de Ribeirão Preto, Paulo César Gentili, afirma que o número de adolescentes encaminhados para internação por envolvimento com crimes tem aumentado. Ele defende que o programa de ressocialização de menores infratores precisa ser aprimorado para garantir a recuperação efetiva dos jovens. Para ele, a solução não é o aumento da punição, mas uma intervenção psicossocial mais adequada. A Fundação Casa, por sua vez, diz desconhecer as agressões dentro da unidade de Ribeirão Preto, mas a corregedoria abriu uma sindicância para apurar as denúncias.
Diante desse cenário, a necessidade de aprimorar as políticas de ressocialização e garantir a segurança e o bem-estar dos jovens em cumprimento de medidas socioeducativas se torna ainda mais urgente.



