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Novembro de 1918: um retrato da realidade brasileira em meio à gripe espanhola
Um presidente enfermo e a gripe espanhola
No início de novembro de 1918, o Brasil enfrentava a gripe espanhola, que assolava o país. Venceslau Brás, então presidente da República, em seus últimos dias de mandato, permanecia recluso em seus aposentos, enfermo, mas mantinha-se informado sobre a evolução da epidemia por meio de contatos telefônicos.
Inauguração silenciosa em meio à pandemia
A pandemia também impactou eventos públicos. O busto em homenagem a Rui Barbosa, no Palácio do Itamarati, foi inaugurado sem qualquer solenidade devido à doença. A ausência de celebrações demonstra o impacto da gripe espanhola na vida social brasileira.
Venceslau Brás e a sucessão presidencial
Venceslau Brás, nono presidente da República (1914-1918), sucedeu Hermes da Fonseca em um período marcado pelo acordo político entre São Paulo e Minas Gerais, conhecido como “política do café com leite”. A gripe espanhola, no entanto, marcaria também a sucessão presidencial, uma vez que Rodrigues Alves, eleito para o cargo, não pôde assumir devido à contaminação pelo vírus, dando lugar a Delfim Moreira, seu vice.
A situação em novembro de 1918 revela um país lidando com uma grave crise sanitária que afetou não apenas a saúde da população, mas também a política e a vida pública. A ausência de festividades e a própria doença que impossibilitou a posse do presidente eleito demonstram a gravidade do momento histórico.



