Mercado de compras de terra em Ribeirão Preto era o assunto do dia
Em 31 de maio de 1918, o mercado de terras em Ribeirão Preto era notícia principal. A aquisição de fazendas era o destaque, com a figura de Dona Iria ao Viz. Ferreira, também conhecida como Junqueira, a “reina do café”, comprando as fazendas Dos Grandas por 200 contos de reis.
A Rainha do Café e seu Império
A compra das fazendas, calculada a 3 reis por pé de café, contrariou a percepção de desvalorização do mercado cafeeiro. O negócio indicava que o café mantinha seu valor, apesar do grande estoque em Santos. Dona Iria, viúva que assumiu os negócios do marido, tornou-se uma das maiores fazendeiras da região, com a Fazenda do Pau Alto (onde hoje se situa Cravinhos) como seu maior empreendimento.
Benemerência e um Fim Conturbado
Além de seus negócios, Dona Iria era conhecida por sua filantropia. Foi patrocinadora da Santa Casa e doou recursos para a construção do altar de Nossa Senhora das Dores na Catedral de Ribeirão Preto. Mãe de sete filhos, um deles, Francisco Junqueira, teve seu nome eternizado em uma importante avenida da cidade. Entretanto, a história de Dona Iria tem um lado sombrio. Em 1920, aos 67 anos, foi presa em São Paulo, acusada de mandar assassinar um de seus gerentes com extrema crueldade, mostrando a complexidade de sua trajetória.
A história de Dona Iria, a “reina do café” que se tornou envolvida em crimes, ilustra um período importante da história de Ribeirão Preto, contrastando riqueza, filantropia e violência. Sua trajetória permanece como um lembrete das múltiplas facetas que podem existir em uma mesma pessoa e época.



