Você sabe como os políticos estão se posicionando diante dos problemas da sua cidade? E os planos de governo? Veja aqui!
A política pública de habitação é um tema recorrente nas campanhas eleitorais, mas seu sucesso vai além de promessas de campanha. É preciso entender como os governos planejam e executam políticas que atendam às necessidades da população, especialmente no que diz respeito à moradia.
Planejamento Urbano e Habitação Social
Segundo a arquiteta e urbanista Marcela Curi, o planejamento habitacional de interesse social demanda muito mais do que simplesmente cumprir metas de um plano de governo. Existem instrumentos legais que poderiam favorecer uma distribuição mais democrática de moradias, mas o modelo atual ainda é fortemente dependente do mercado imobiliário. O plano diretor urbano precisa não só indicar áreas para habitação social, mas também garantir a efetiva utilização desses espaços, assegurando o acesso à moradia para pessoas de baixa renda.
Desenvolvimento Urbano Desordenado e suas Consequências
Marcela Curi utiliza o crescimento de Ribeirão Preto como exemplo de expansão urbana desordenada. Apesar da existência de diretrizes no plano diretor, não há mecanismos efetivos para pressionar proprietários a utilizarem terrenos urbanos ociosos com infraestrutura. Isso resulta em uma ocupação periférica, cada vez mais distante do centro, criando bairros que atendem a diferentes perfis: aqueles socialmente excluídos e aqueles que buscam segregação, como em condomínios fechados. Essa expansão urbana gera problemas de mobilidade, aumentando a distância entre os bairros e o centro comercial, impactando negativamente a vida dos moradores.
Sustentabilidade e Mobilidade Urbana
A arquiteta destaca a necessidade de integrar habitação e infraestrutura. Um desenvolvimento urbano sustentável não se limita à construção de moradias, mas também considera a mobilidade urbana, o transporte público e a acessibilidade. Uma cidade espalhada, dependente do transporte individual, é insustentável ambiental e economicamente. A falta de planejamento integrado resulta em problemas como a superlotação de ônibus e a deficiência de pontos de ônibus, impactando diretamente a qualidade de vida da população. A discussão sobre habitação precisa incluir, portanto, infraestrutura, transporte e desenvolvimento sustentável, para que as políticas públicas atendam às reais necessidades da população.
Em suma, a efetividade das políticas de habitação depende de um planejamento urbano integrado, que considere a sustentabilidade ambiental e econômica, além do acesso equitativo à moradia. Somente assim é possível construir cidades mais justas e inclusivas.



