Venda direta de etanol de usinas para postos de combustíveis é o destaque da coluna
O setor sucroenergético brasileiro está em debate. Uma proposta de venda direta de etanol das usinas para os postos de combustível gera controvérsia, com diferentes atores defendendo posições opostas.
Intermediários e Preços
Atualmente, o etanol passa por diversos intermediários antes de chegar ao consumidor final. Essa estrutura impacta o preço, com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) argumentando que a venda direta poderia reduzir custos, principalmente em regiões produtoras. A preocupação com a qualidade do produto, garantida pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), também é um ponto central na discussão, pois a retirada de intermediários exigiria novas formas de garantir a qualidade do etanol comercializado.
Benefícios e Impactos
A venda direta poderia beneficiar principalmente regiões produtoras, onde o preço do etanol poderia cair. No entanto, regiões não produtoras provavelmente não seriam impactadas, já que continuariam dependendo dos agentes cadastrados pela ANP. A questão da remuneração dos produtores também é crucial. O preço pago aos produtores está atrelado ao preço do açúcar, independente da quantidade de etanol produzida. Portanto, a venda direta, por si só, não necessariamente alteraria a remuneração dos produtores, sejam eles pequenos, médios ou grandes.
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Cenário Político e Econômico
A proposta de venda direta enfrenta resistência de alguns setores, com a Unica manifestando preocupação com a perda da essência do setor renovável. Há divergências internas na própria Unica, com empresas associadas, como a Raízen (com forte atuação na distribuição via Shell), tendo posições distintas. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) defende a venda direta, argumentando que isso poderia contribuir para a redução de preços. A discussão envolve questões políticas e econômicas complexas, com impactos distintos para diferentes atores da cadeia produtiva.