Justificativa para aumento do preço dos combustíveis não é cabível, afirma colunista
O preço dos combustíveis em Ribeirão Preto subiu mais de 50 centavos, surpreendendo motoristas que buscavam postos com preços ainda não reajustados.
Causas do aumento repentino
Segundo José Carlos de Lima Júnior, as justificativas para o aumento relacionam-se a eventos climáticos internacionais, como os ocorridos nos Estados Unidos. Entretanto, a relação entre o fechamento de refinarias americanas e a alta expressiva dos preços no Brasil é questionável, necessitando de uma análise mais aprofundada da cadeia produtiva do petróleo.
A influência da Petrobras e das importações
A Petrobras, principal produtora de petróleo do Brasil, passou por intervenções governamentais entre 2009 e 2014, resultando em endividamento e priorização da extração em detrimento do refino. Isso levou a um aumento significativo das importações de derivados, com 214 empresas autorizadas a importar, sendo 157 apenas para gasolina. A análise das importações por país de origem mostra que, embora os EUA sejam o maior exportador de derivados de petróleo, não são os principais exportadores de gasolina e diesel para o Brasil. Portanto, o impacto do furacão nos EUA sobre os preços de gasolina e diesel no Brasil é considerado infundado.
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Oportunismo e o futuro
A Petrobras, após anos de dificuldades e envolvimento em esquemas de corrupção, busca recuperar o mercado interno. A política de preços atrelada ao mercado internacional, iniciada em 2016, não se reflete integralmente nos preços internos. As importadoras detêm grande parte do mercado de derivados no Brasil, o que lhes permite aproveitar situações como a de um furacão nos EUA para justificar aumentos de preços. A situação atual é vista como oportunista, e o futuro da Petrobras e dos preços dos combustíveis para o consumidor brasileiro permanece incerto.