Governo Federal compra parte da produção de milho para ajudar produtores
A safra recorde de milho no Brasil em 2017, com 85 milhões de toneladas, resultou em um cenário desafiador para os produtores. Apesar do aumento na produção, o preço do milho caiu significativamente, pressionado pela grande oferta.
Preços deprimidos e intervenção governamental
Com o preço de produção superior ao valor de venda, o governo brasileiro implementou leilões subsidiados, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), injetando R$ 800 milhões para tentar conter a queda de preços. No entanto, esse valor representa apenas 10% do volume total produzido, tendo um impacto limitado no mercado.
Desafios logísticos e baixa demanda
A falta de investimentos em infraestrutura logística agrava a situação. O alto custo de transporte e a demora no pagamento por grandes compradores, como a JBS (que detém 25% da compra nacional e paga com prazos de 30 a 60 dias), contribuem para a dificuldade dos produtores em obter lucratividade. A alta taxa de desemprego (13%) também reduz o consumo de carne, diminuindo a demanda por milho para ração animal, que representa 85% do consumo nacional.
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Perspectivas e impactos
A superprodução, aliada à baixa demanda e aos problemas logísticos, geram um excesso de estoque, mantendo a pressão sobre os preços. O recorde de safra, portanto, beneficia apenas o mercado comprador, enquanto os produtores enfrentam dificuldades financeiras. A situação exige soluções estruturais, além das medidas paliativas governamentais, para garantir a sustentabilidade da produção de milho no Brasil.