Aprovação da reforma política pode afetar atividades agrícolas
O site de notícias do Canal Rural destacou a preocupação de entidades agrícolas com a reforma política em tramitação no Congresso. Mudanças aprovadas ainda este ano podem afetar diretamente o setor no pleito de 2024.
Impactos da Reforma Política no Agronegócio
José Carlos de Lima Jr. analisou os potenciais benefícios e prejuízos para o agronegócio. Segundo ele, a proposta em discussão prioriza a manutenção dos políticos atuais e do sistema vigente, em vez de promover mudanças significativas. A falta de barreiras para pequenas coligações e a ausência de limites para reeleições são apontadas como problemas cruciais. O sistema de “voto nominal”, que privilegia candidatos conhecidos, contribui para a perpetuação do poder e dificulta o acesso de novos nomes com ideias inovadoras. A criação de um fundo democrático para financiar campanhas, após a proibição de financiamento privado, também é criticada, visto que permite a autofinanciamento e manutenção dos políticos no poder.
Representatividade em Risco?
Lima Jr. acredita que a representatividade do setor na política não está necessariamente em cheque. O sistema distrital, que fortalece candidatos com apoio local, pode até mesmo beneficiar a eleição de representantes do agronegócio. No entanto, ele aponta a dificuldade de novos candidatos em competir com os incumbentes, que já possuem maior visibilidade e estrutura. Isso cria uma barreira de entrada significativa para novas ideias e propostas.
Leia também
Necessidade de Mudanças Estruturais
O especialista critica o foco do Congresso em questões que beneficiam os próprios políticos, em detrimento de necessidades urgentes do país, como as demandas do agronegócio. Ele menciona o financiamento público de campanhas e a criação de distritos eleitorais como exemplos de medidas que não promovem mudanças efetivas. Para Lima Jr., uma reforma política verdadeira deveria começar com uma mudança nos próprios agentes políticos, e não apenas em ajustes superficiais que mantêm o sistema inalterado. A obrigatoriedade do voto também é questionada, sugerindo que a autonomia individual na decisão de votar poderia ser mais eficiente. A falta de cumprimento de promessas políticas contribui para o desinteresse da população em participar do processo eleitoral.