Especialista explica os impactos no agronegócio com a queda no preço do barril de petróleo
Os preços do petróleo desabaram, impulsionados por uma guerra comercial entre Arábia Saudita e Rússia, gerando incerteza nos mercados e impactando o agronegócio brasileiro.
Impacto cambial no agronegócio
A queda do petróleo, combinada com a pandemia do novo coronavírus, elevou o valor do dólar. Essa valorização, embora positiva para quem exporta, encarece os insumos agrícolas importados, como fertilizantes e produtos químicos, aumentando os custos de produção.
Dívidas em moeda estrangeira e o setor sucroenergético
A alta do dólar também afeta setores com dívidas em moeda estrangeira, especialmente o setor sucroenergético. As usinas, com dívidas em dólares, enfrentam um aumento significativo de seus compromissos financeiros.
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Etanol e a queda do petróleo: um cenário delicado
A queda acentuada no preço do petróleo reduz a competitividade do etanol. Com a possível queda no preço da gasolina, o etanol precisará ser comercializado a preços próximos ao custo de produção para manter a competitividade, caso contrário, poderá haver um aumento de estoques nos postos de combustíveis.
A safra 2019-2020 foi prioritariamente alcooleira, mas a situação atual pode levar as usinas a priorizar a produção de açúcar. No entanto, o mercado internacional de açúcar apresenta estoques elevados, o que limita a possibilidade de valorização do produto. O setor sucroenergético, portanto, enfrenta um cenário desafiador, com a possibilidade de queda na competitividade do etanol e limitada valorização do açúcar.
A Petrobras deve repassar as quedas no preço do petróleo para a gasolina, mas a volatilidade do mercado e a incerteza sobre a evolução da situação dificultam previsões precisas. O mercado está emocional e a Petrobras deve aguardar o desenrolar dos eventos antes de definir seus preços.