Uso de agrotóxicos bateu recorde no Brasil em 2019; especialista comenta os dados
O debate sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia e o uso de agrotóxicos no Brasil ganha força. Em 2019, o país bateu recorde na liberação de agrotóxicos, com cerca de 211 registros autorizados até o momento, e mais alguns aguardando aprovação.
Registros de Agroquímicos: Desmistificando o Processo
José Carlos de Lima Jr. destaca a necessidade de desmistificar o uso de defensivos agrícolas. Assim como os seres humanos utilizam medicamentos, as plantas também necessitam de tratamento para combater doenças e pragas. O especialista aponta que o Brasil enfrenta morosidade na aprovação de novas tecnologias, levando de 5 a 6 anos para registrar uma nova substância, enquanto países como os EUA levam de 1 a 1,5 ano. Essa demora faz com que o Brasil utilize produtos menos eficazes e tecnologicamente inferiores aos disponíveis internacionalmente.
A Morosidade na Aprovação e suas Consequências
A lentidão nos registros de novos agrotóxicos gera preocupações. O Brasil utiliza produtos considerados ultrapassados por outros países, enquanto tecnologias mais avançadas e eficazes ficam de fora. A comparação com os EUA, que podem até banir agrotóxicos nocivos ao cérebro, enquanto estes são amplamente utilizados no Brasil, evidencia a urgência de mudanças. Há um descompasso entre a burocracia governamental, que cria obstáculos para novas tecnologias, e a preocupação da opinião pública com os riscos à saúde associados a alguns produtos químicos.
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Equilibrando Inovação e Segurança
A solução, segundo Lima Jr., passa por um equilíbrio entre a agilidade na aprovação de produtos comprovadamente eficientes e a conscientização pública de que os defensivos são medicamentos para plantas. A alta produtividade agrícola e o baixo custo dos alimentos estão diretamente relacionados ao uso de agrotóxicos. O especialista ressalta que dos 211 registros de novos químicos, a maioria são misturas de produtos já existentes, e não novas tecnologias. A morosidade e o protecionismo impedem o acesso a inovações científicas, prejudicando a produção nacional.