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União das usinas de cana-de-açúcar divulgou que o Brasil levará 100 anos para aproveitar seu potencial da bioeletricidade
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União das usinas de cana-de-açúcar divulgou que o Brasil levará 100 anos para aproveitar seu potencial da bioeletricidade

União das usinas de cana-de-açúcar divulgou que o Brasil levará 100 anos para aproveitar seu potencial da bioeletricidade

Demora na Exploração do Potencial da Bioeletricidade Canavieira

Segundo dados divulgados pela União Nacional da Indústria de Açúcar e Álcool (UNICA), o Brasil levará mais de 100 anos para aproveitar totalmente o potencial da bioeletricidade canavieira. Essa demora se deve a diversos fatores, que serão discutidos a seguir.

Desafios para a Cogeração de Energia

Um dos principais obstáculos é a idade das plantas industriais. Muitas usinas, construídas na década de 1970 durante o Proálcool, não possuem a capacidade de cogeração de energia, ou seja, a transformação da biomassa da cana (palha e resíduos) em energia elétrica. A falta de adaptação dessas plantas para a cogeração dificulta o aproveitamento do potencial energético da cana.

Outro fator relevante é o modelo de remuneração dos produtores, que atualmente prioriza a produção de açúcar e etanol, sem incentivos diretos para o investimento em novas áreas de cultivo que aumentariam a produção de biomassa para cogeração. Essa falta de incentivo financeiro inibe a modernização e expansão da capacidade de geração de bioeletricidade.

O Futuro do Setor Sucroenergético

O setor sucroenergético brasileiro precisa se adaptar às mudanças globais. Com a crescente demanda por energias renováveis e a tendência mundial de redução do uso de combustíveis fósseis, a bioeletricidade se torna um produto estratégico. A Europa, por exemplo, já estabelece prazos para a eliminação de motores a combustão, impulsionando o desenvolvimento de tecnologias elétricas e híbridas. O Brasil deve seguir essa tendência, priorizando a bioeletricidade como um produto principal do setor, ao lado do açúcar e do etanol.

A recente alta na produção de etanol, após uma queda na produção de açúcar, demonstra a capacidade do setor de se adaptar às flutuações do mercado. No entanto, a concorrência internacional no mercado de açúcar exige estratégias para manter a competitividade. A previsão de aumento nos preços do açúcar no mercado internacional abre novas oportunidades para o setor, incentivando investimentos em produção e tecnologia.

Em suma, a exploração plena do potencial da bioeletricidade canavieira requer investimentos em modernização das usinas, incentivos para o aumento da produção de biomassa e uma mudança de foco estratégico do setor, direcionando-o para a produção de energia limpa, além do açúcar e do etanol. A adaptação a essa nova realidade é fundamental para a competitividade do setor sucroenergético brasileiro no cenário internacional.

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