Historiadora fala do levante de Guariba, em 84, evento que incentivou diversas reformas trabalhistas
O programa “CBN cidades e suas histórias”, apresentado por Luiz e Gabriela, recebeu Adriana Silva para discutir a história de Guariba em seu aniversário de 125 anos. A conversa, porém, foi interrompida por problemas técnicos, sendo retomada após alguns instantes.
O Levante dos Canaveros de 1964
Adriana iniciou relatando o levante dos canavieiros em 1964, um evento inicialmente marcado por uma narrativa negativa. Após dois anos, um morador de Guariba a contatou para resgatar a memória desse momento histórico, reconhecendo seu valor como aprendizado e construção de identidade. Das 19 reivindicações apresentadas, 13 foram atendidas, culminando na criação de uma carta de Guariba que estabelecia normas para o trabalho no campo canavieiro. Surpreendentemente, essa carta foi utilizada como referência em manifestações de trabalhadores rurais na União Soviética.
Guariba: Da Tragédia ao Romance e ao Documentário
Adriana destacou que o evento de 1964, apesar de sua carga negativa, gerou reflexões e aprendizados importantes para a cidade. A experiência inspirou o romance “A Sucaramargo”, de Puntel Ribeirão Preto, que aborda o tema de forma ficcional, oferecendo uma nova perspectiva aos leitores. Além do romance, três documentários foram produzidos, retratando o evento sob diferentes ângulos históricos. A própria Adriana também homenageou Guariba com uma radionovela baseada em “A Sucaramargo”, envolvendo alunos de jornalismo e teatro, que tocou profundamente muitas pessoas.
A Importância da Memória Local e a Autoestima Coletiva
A conversa abordou a importância de resgatar e valorizar a memória local, mesmo em momentos desafiadores. Adriana enfatizou como a cidade de Guariba, inicialmente relutante em lembrar do levante, passou a reconhecer a importância de compartilhar sua história, aprendendo com o passado. A baixa autoestima em cidades pequenas foi apontada como um problema que impede a participação cívica e o desenvolvimento. Valorizar a cultura local e assumir a própria história, mesmo com seus aspectos negativos, contribui para a construção de uma identidade mais forte e um sentimento de pertencimento, essencial para o crescimento e desenvolvimento da cidade.



