Beber na frente dos filhos pode impactar negativamente na saúde mental das crianças? Psicóloga aborda o tema
Uma pesquisa recente no Reino Unido revelou um dado alarmante: 1 em cada 10 pais admite ter consumido álcool na frente dos filhos, e metade deles relata ter se embriagado nessas ocasiões. A especialista em saúde mental Daniela Zeote analisou o impacto desse comportamento na psique infantil.
Impacto na Saúde Mental Infantil
De acordo com Daniela Zeote, o estudo, embora de 2017, trouxe à tona um problema muitas vezes negligenciado por profissionais de saúde, educadores e pais. A pesquisa focou em crianças e adolescentes de 11 a 15 anos, mostrando que a exposição frequente ao consumo de álcool pelos pais pode levar a diversos problemas emocionais. Crianças que testemunham esse comportamento tendem a se mostrar mais retraídas, inseguras e preocupadas, muitas vezes relatando medo e insegurança.
Manifestações do Problema
O medo vivenciado pelas crianças afeta diretamente seu sono, causando insônia e dificuldades para dormir. A especialista destaca que não é apenas a embriaguez explícita que causa impacto, mas também comportamentos que antecedem a ela, como euforia ou sintomas depressivos relacionados ao álcool. Essas alterações de comportamento nos pais geram insegurança e vulnerabilidade nas crianças, que percebem a instabilidade e a imprevisibilidade da situação. A possibilidade de brigas entre os pais ou de um aumento na severidade da disciplina contribui para um ambiente doméstico negativo e prejudicial.
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Prevenção e Conversa Aberta
A prevenção, segundo Daniela, reside na comunicação aberta e transparente com os filhos. Em vez de esconder o consumo de álcool, os pais devem explicar o contexto social da bebida, enfatizando o consumo moderado e responsável. A sinceridade e a confiança são fundamentais para construir um relacionamento saudável e evitar que a criança desenvolva curiosidade excessiva ou desconfiança em relação aos pais. Esconder o consumo de álcool pode gerar mais curiosidade e aumentar o risco de experimentação precoce na adolescência.
Em suma, a pesquisa destaca a importância da responsabilidade parental no consumo de álcool, mostrando que mesmo sem dependência química, o uso de bebidas alcoólicas na frente dos filhos pode ter consequências negativas significativas para sua saúde mental e desenvolvimento emocional. A comunicação aberta e a construção de um ambiente familiar seguro são cruciais para a prevenção desses problemas.