Gabinetes da Câmara de Ribeirão gastaram R$ 22 milhões em 2016
A Câmara de Ribeirão Preto enfrenta polêmica sobre pagamentos do Regime de Tempo Integral (RTI) a funcionários comissionados. Uma reportagem especial do jornal A Cidade revelou gastos astronômicos, com suspeitas de que parte do dinheiro era devolvida a vereadores.
Farra do RTI: Gastos Exorbitantes e Suspeitas de Devolução
A investigação iniciada na Operação Servantigo, em setembro de 2016, apontou pagamentos de RTI com valores equivalentes ao salário dos comissionados, dobrando seus vencimentos. Gabinetes de vereadores da base governista chegaram a custar mais de R$ 1 milhão por ano, enquanto gabinetes da oposição gastavam menos de R$ 500 mil. A diferença significativa nos custos levanta suspeitas de irregularidades.
Funcionários Fantasmas e Investigações em Andamento
Além dos pagamentos de RTI, a investigação também apura a existência de 23 comissionados sem vínculo com gabinetes, totalizando 155 funcionários comissionados. Há indícios de que esses funcionários eram indicados por vereadores investigados na Operação Servantigo. A Promotoria Pública, a Polícia Federal e o Gaeco investigam esses casos, com foco na devolução de parte dos valores do RTI por alguns vereadores. Planilhas apreendidas no gabinete do vereador Capela comprovam a prática.
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Novas Regras e Transparência
Em dezembro de 2017, uma nova regra foi aprovada extinguindo o pagamento de RTI para comissionados. Atualmente, a estrutura de um gabinete de vereador em Ribeirão Preto é composta por um coordenador, um assessor direto e três assessores parlamentares, com custo mensal aproximado de R$ 35 mil. Em comparação, a Câmara de Franca, segundo relatos de ouvintes, possui apenas um comissionado por gabinete, com salário de R$ 4.500. A diferença entre os gastos demonstra a necessidade de maior transparência e controle de recursos públicos.



