CPI apura caixa dois na secretaria de Esportes na gestão Dárcy Vera
Nesta semana, a política de Ribeirão Preto foi marcada por dois eventos importantes: a finalização da greve dos servidores públicos e a aprovação do Plano Diretor, após 15 anos de tramitação. Porém, um fato preocupante roubou a cena: novas denúncias na CPI do Parque de Disposições.
Caixa Dois na Secretaria de Esportes
Um comissionado da Secretaria de Esportes, Marcelo Enderley Nunes, prestou depoimento na CPI, revelando a existência de um caixa paralelo na gestão da ex-prefeita Darci Vera, quando o secretário era Laíro César Júnior. Segundo Nunes, uma planilha em Excel controlava os pagamentos em espécie para eventos menores, com valores inferiores a R$ 8.000, realizados no Parque de Disposições. Aluguéis de grandes eventos, como o John Rock e o Ribeirão Rodeo, eram pagos diretamente à Secretaria da Fazenda, enquanto os menores eram pagos em dinheiro na Secretaria de Esportes. O dinheiro era usado para cobrir despesas da secretaria, como compra de alimentos e viagens. Inclusive, Nunes relatou o pagamento de uma conta de telefone de R$ 1.500 com cartão de crédito, posteriormente reembolsado com o dinheiro do caixa paralelo. Em menos de um ano e meio, esse caixa movimentou R$ 116.000.
Falta de Transparência e Investigação
A situação demonstra total falta de transparência na gestão pública. Embora não haja comprovação de desvio de dinheiro, a ausência de contabilidade formal levanta sérias questões. A CPI pretende aprofundar a investigação, ouvindo outros envolvidos e encaminhando a documentação ao Ministério Público. Chama atenção também um registro de R$ 5.500 pagos a Luquese, ex-secretário de Esportes, para custear uma viagem aos Jogos Regionais, recurso posteriormente devolvido após a entrada de dinheiro de aluguéis. A falta de comprovação da origem do dinheiro agrava a situação. Luquese, preso em decorrência da Operação Triângulo de Sevandígia, se manifestou por meio de sua advogada, reconhecendo a existência do caixa paralelo, mas negando desvios de recursos. O presidente da CPI, Orlando Pessotti, pretende solicitar à Justiça autorização para ouvir Luquese na penitenciária de Ribeirão Preto.
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O caso demonstra a necessidade de maior transparência e controle na gestão dos recursos públicos, garantindo a correta aplicação do dinheiro público e a responsabilização dos envolvidos em eventuais irregularidades. A investigação da CPI e o envolvimento do Ministério Público são cruciais para esclarecer completamente os fatos e garantir a justiça.