CPI que investiga as condições da Saúde em Ribeirão Preto, ouve família de bebê morto por suspeita de negligência médica
Nesta quarta-feira (24), a política em Ribeirão Preto viveu um dia mais tranquilo após um dia agitado na Câmara Municipal. A primeira reunião da CPI da Saúde investigou a morte do bebê Lorenzo Manuel Faria Barros, de sete meses, que faleceu em 23 de fevereiro após atendimento em duas unidades de saúde.
Investigação da CPI da Saúde
A mãe do bebê, Natália Cristina da Silva Faria, compareceu à CPI acompanhada da avó, mas estava muito emocionada para prestar depoimento completo. A avó relatou que Lorenzo apresentou febre na quinta-feira, sendo medicado com dipirona e soro. No sábado, com febre alta, recebeu os mesmos remédios e uma injeção, sendo liberado em seguida. Cerca de 30 minutos após, o bebê passou mal e faleceu. Ele tinha anemia falciforme e, segundo a avó, não deveria ter recebido a injeção.
A avó relatou ter pedido a transferência de Lorenzo para o Hospital das Clínicas, onde ele fazia tratamento, mas o pedido não foi atendido. A advogada da família informou que um inquérito policial investiga o caso, mas não há informações sobre procedimentos administrativos na Secretaria da Saúde. A advogada se comprometeu a apresentar à CPI os receituários médicos, prontuário e laudo do IML, que apontou a anemia como causa da morte. Ela também informou que a injeção aplicada no bebê é proibida para crianças menores de um ano, segundo a Anvisa.
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Sessão Ordinária Interrompida
A sessão ordinária da Câmara Municipal foi interrompida pela segunda vez na semana devido à ocupação do plenário por servidores municipais em greve por reajuste salarial. A prefeitura alega impossibilidade financeira, devido à extrapolação do limite prudencial na Lei de Responsabilidade Fiscal. Apesar de alguns vereadores terem registrado presença, o número foi insuficiente para formar quórum, impossibilitando a votação dos sete projetos em pauta. Entre os projetos, estavam autorizações de verba e um veto a um projeto sobre o aumento de passagens de transporte urbano.
Reunião em São Paulo e Desfecho
Uma reunião está marcada para quarta-feira (24) em São Paulo com o Tribunal de Contas do Estado para discutir o recurso da prefeitura contra a decisão do TCE que obrigou a contabilização dos repasses do IPM como gastos com pessoal. O Ministério Público de Contas já emitiu parecer contrário à apelação da prefeitura. A expectativa é que essa reunião auxilie na resolução da greve e na retomada das sessões na Câmara Municipal. A questão dos descontos salariais para os vereadores que não participaram das votações permanece em aberto.